Ernesto Rodrigues/Estadão
Ernesto Rodrigues/Estadão

“Se condenarem o Lula, vão apagar fogo com gasolina”, diz Marinho

Presidente do PT de São Paulo parte para o confronto e diz que partido não tem controle sobre possíveis reações

Vera Rosa - ENVIADA ESPECIAL, O Estado de S. Paulo

23 Janeiro 2018 | 22h57

SÃO PAULO - A cúpula do PT vai elevar o tom e intensificar o enfrentamento político, caso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja condenado nesta quarta-feira pelo Tribunal Regional Eleitoral da 4.ª Região (TRF-4), em Porto Alegre. “Se condenarem o Lula vão apagar fogo com gasolina”, disse ao Estado o presidente do PT paulista, Luiz Marinho. “Depois, que arquem com as consequências.”

Pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Marinho é o terceiro petista a partir para o embate ao comentar a possibilidade de Lula ser impedido de disputar a eleição ao Palácio do Planalto e acabar preso. Há uma semana, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, disse que, para prender Lula, seria preciso “matar gente”, mas depois alegou ter usado “força de expressão”. Em Porto Alegre, o líder do PT no Senado, Lindbergh Farias (RJ), também deu nesta terça-feira mais um passo na direção do confronto. “Se acham que vão encontrar uma esquerda frouxa, acomodada, podem vir quente que a gente está fervendo”,  gritou ele.

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Nos bastidores, o partido trabalha com a perspectiva de condenação de Lula, mas a ordem é não admitir que poderá ter de trocar de candidato mais adiante. “O Plano A é Luiz Inácio e o Plano B é Lula da Silva”, afirmou Marinho. Para ele, o ex-governador do Rio Grande do Sul Olívio Dutra “falou bobagem” ao dizer, em entrevista ao Estado, que “o campo democrático já tinha de ter construído alternativas” para o caso de Lula não conseguir concorrer.

 

Ex-prefeito de São Bernardo do Campo, Marinho disse ainda ter “um fio” de esperança de que os desembargadores absolverão o ex-presidente. Com o argumento de que não há provas contra o petista no caso do triplex do Guarujá, ele observou que, se “mesmo assim” a sentença do juiz Sérgio Moro for mantida pelo TRF-4, o PT não terá controle sobre as reações da população e pode haver uma “convulsão” social.

“A toda ação corresponde uma reação. Por acaso alguém chuta sua canela e você agradece? Nós não estamos falando em pegar em armas, mas não vamos aceitar uma prisão para tirar o Lula da disputa. Ele só pode ser condenado se estuprarem a Constituição e o Código Penal”, insistiu Marinho. Até agora, o ex-presidente responde a seis processos e foi condenado a 9 anos e seis meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro pelo juiz Sérgio Moro.

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O líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) Guilherme Boulos endossou as críticas de Marinho. “Se eles fecham a porta, vamos precisar ter força para arrombar essa porta”, protestou Boulos. Convidado pelo PSOL para concorrer à Presidência, Boulos disse que a disputa por dentro das instituições não basta. “É preciso tomar as ruas”, insistiu.

O ex-presidente vai acompanhar nesta quarta-feira o julgamento da sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, entidade que dirigiu de 1975 a 1981. Seus aliados programaram um “abraço coletivo” ao prédio do sindicato, na tentativa de mostrar solidariedade e formar ali um cordão de isolamento para evitar provocações.

Seja qual for o resultado do julgamento de Lula, o PT vai lançar sua candidatura ao Planalto um dia depois, em reunião da Executiva Nacional do partido, em São Paulo. “A esquerda tem de ter responsabilidade. Acho que o momento político exigiria um único candidato desse campo, mas, se não for possível, discutiremos uma ponte para o segundo turno”, argumentou Marinho.

Até agora, antigos aliados do PT, como o PC do B, prometem concorrer com  chapa própria ao Planalto. O PDT quer lançar o ex-ministro da Integração Ciro Gomes e o PSB flerta com o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa. 

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