Sarney e Temer emplacam ministros

Os 5 nomes do PMDB levados a Dilma têm a chancela do presidente do Senado, que pode seguir no cargo, e do vice-presidente eleito

Eugênia Lopes e Christiane Samarco, de O Estado de S.Paulo,

07 Dezembro 2010 | 23h01

BRASÍLIA - O PMDB fechou ontem com a presidente eleita, Dilma Rousseff, seu espaço no futuro governo privilegiando os "padrinhos" da legenda. Os vencedores na indicação para cinco pastas - Minas e Energia, Previdência, Turismo, Agricultura e Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) - são o presidente do Senado, José Sarney (AP), e o presidente nacional da legenda e vice-presidente eleito, Michel Temer (SP).

 

Sarney e Temer emplacaram dois ministros cada na cota do partido. O sexto ministério ocupado por um peemedebista - Nelson Jobim, na Defesa - é considerada cota pessoal de Dilma. No xadrez da reforma, o PMDB cedeu Saúde, Comunicações e Integração Nacional em troca de Turismo, SAE e Previdência, pastas sem o mesmo prestígio político e orçamentário.

 

"Com certeza a indicação do meu nome tem a influência do senador Sarney e da governadora Roseana Sarney", admitiu o deputado Pedro Novais (PMDB-MA). Seu nome é dado como certo para assumir o Ministério do Turismo, pasta que nos últimos dias passou a ser alvo de cobiça de partidos aliados, como o PSB.

 

Além de Novais, o grupo de Sarney já havia conseguido o retorno de Edison Lobão para Minas e Energia. No segundo mandato do presidente Lula, Lobão substituiu a então ministra Dilma Rousseff.

 

Na cota de Temer estão Wagner Rossi, que será mantido na Agricultura, e o ex-governador do Rio, Moreira Franco, que ficará na SAE. Moreira Franco relutou em aceitar a secretaria porque reivindicava um ministério mais robusto. Sem sucesso na empreitada, os peemedebistas passaram então a defender que a SAE fosse "turbinada" com a absorção de novas tarefas.

 

Mais uma vez, não foram bem sucedidos. Obtiveram só a promessa de que o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, conhecido como "conselhão", ficará subordinado à SAE. Também conseguiram garantir a permanência do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) na pasta.

 

Previdência

 

Na escalação ministerial, a novidade nesta terça-feira, 7, ficou por conta do senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), cotado para assumir a Previdência. O nome do ex-governador do Amazonas e senador eleito Eduardo Braga chegou a ser confirmado. Segundo peemedebistas, Braga teria aceitado ser ministro, mas com a expectativa de assumir outra pasta. Ele queria um ministério mais ligado à área empresarial e industrial. Como não foi possível trocar de ministério, o ex-governador desistiu de assumir a Previdência. O PMDB decidiu, então, apresentar o nome de Garibaldi. Mas, ao contrário dos demais ministros indicados pelo partido, o nome do senador enfrenta resistências e sua ida não estava assegurada.

 

"Ninguém me ligou para me convidar. Mas, se me ligarem, aceito", disse Garibaldi. A sondagem foi feita no início da tarde de ontem pelo líder do partido no Senado, Renan Calheiros (AL). "É um desafio muito grande e a gente tem que aceitar os desafios", observou Garibaldi.

 

A escolha de Garibaldi para o ministério abre caminho para uma reeleição tranquila de Sarney na presidência do Senado. O senador potiguar já havia declarado disposição de lançar seu nome como alternativa do partido para comandar o Congresso. Garibaldi lembra que já esteve "dos dois lados do balcão", no Executivo e no Legislativo.

 

Além dos três mandatos no Senado, foi prefeito e governador. A Previdência seria sua estreia na Esplanada dos Ministérios.

 

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