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Eleições 2014

Sarney diz que terá prestígio 'até morrer'

Ana Fernandes e Alcinéa Cavalcanti, especial para O Estado - O Estado de S. Paulo

24 Junho 2014 | 17h 53

Senador afirma que recebeu apelo de Dilma e aliados tentam convencê-lo a disputar eleição

Atualizado às 22h20 - O senador José Sarney (PMDB) afirmou nesta terça-feira, 24, que a presidente Dilma Rousseff insistiu e mobilizou a direção do PT para que ele se candidatasse este ano a um novo mandato no Senado. Ele disse que ainda procura convencer de sua decisão aliados que tentam fazê-lo mudar de ideia. O senador e ex-presidente da República, porém, garante que mesmo fora da vida pública terá prestígio “até morrer”.

As declarações de Sarney foram dadas em entrevista ao programa Luiz Melo Entrevista, da rádio Diário FM, de Macapá. Na segunda, depois de ser vaiado durante evento ao lado da presidente na capital do Amapá, Sarney comunicou oficialmente a amigos e por meio de nota de sua assessoria que tinha desistido de concorrer na eleição de outubro. A decisão interrompe trajetória de quase 60 anos de vida política.

Nesta terça, ele minimizou os apupos. “Vaias são coisas organizadas, feitas com antecedência e até pagas. Não ligo não.” Sarney, de 84 anos, afirmou na entrevista que a decisão foi tomada exclusivamente por causa de sua avançada idade e de sua condição de saúde. Ele também citou os problemas de saúde de sua mulher, Marly. “Não teve outra, nenhuma interferência, se não essa. Ficar cumprindo pela metade minhas obrigações não é do meu feitio.”

Ed Ferreira/Estadão
Há 24 anos no cargo, senador avisou a aliados que não vai disputar o Senado neste ano

O senador afirmou “não ter dúvidas” de que contaria com o apoio da presidente caso decidisse continuar na vida pública. “A presidente Dilma insistiu muito comigo para que continuasse, para que eu fosse candidato. Foi muito enfática nesse sentido. Ela procurou o presidente do PT (Rui Falcão) para falar nesse sentido”, afirmou.

Titubeio. Questionado pelo apresentador do programa, Luiz Melo, se a decisão era irreversível, Sarney titubeou. A ligação caiu e, quando voltou ao ar, ao justificar a queda do sinal, disse: “Meu telefone não para”. O jornalista insistiu na pergunta e Sarney disse que é difícil voltar atrás e vai convencer de sua decisão todos que estão empenhados em fazê-lo mudar de ideia.

Senador pelo Amapá, Sarney ressaltou que não decidiu pela aposentadoria por falta de capital político ou por medo de perder a eleição. “Tenho pesquisas na minha mão que me dão uma situação muito confortável, uma delas com 50,6% de preferência do eleitorado, portanto não tenho nenhuma dúvida de que não tem problema nenhum de eleição.”

No entanto, conforme aliados, pesou na decisão de Sarney o cenário político desfavorável e a alta rejeição que enfrenta no Estado. O senador disse que “ajudou o País” na transição democrática ao lembrar o período em que ocupou a Presidência (1985-1990). “Tenho meu prestígio e não deixo de ter até eu morrer”, disse. “Todo prestígio que tenho e parcela de liderança nacional vão ser colocados a serviço do Amapá, como sempre foi.”

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