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Salvador: 2 escolas querem abandonar nomes de militares

TIAGO DÉCIMO - Agência Estado

02 Abril 2014 | 16h 45

A grande repercussão do caso da mudança de nome do antigo Colégio Estadual Emílio Garrastazu Médici, em Salvador, para Colégio Estadual Carlos Marighella, há pouco mais de um mês, já levou duas outras escolas da rede pública a fazer estudos para trocar de nome. Assim como no projeto pioneiro, no qual o nome do ex-presidente do regime militar foi substituído para homenagear o líder comunista baiano assassinado por agentes do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) em novembro de 1964, em São Paulo, as duas outras instituições têm nomes de ex-governantes militares e planejam trocá-los para homenagear personalidades de outras áreas.

Professores do Colégio Estadual Humberto Alencar Castelo Branco, por exemplo, já elaboraram um projeto pedindo para que a escola passe a homenagear Nelson Mandela. O novo nome foi definido por consultas aos funcionários e alunos da instituição. Para tornar a mudança oficial, foi pedida autorização da Secretaria de Educação, que instruiu a direção da unidade a elaborar uma proposta oficial e realizar um plebiscito na comunidade. Os docentes convocaram alunos, ex-alunos, funcionários e moradores da região, no Subúrbio Ferroviário, para um debate sobre o tema, no próximo dia 15. A votação está prevista para duas semanas depois. "A mudança é um desejo antigo da comunidade", afirma a diretora da unidade, Olívia Costa.

Já os professores, funcionários e alunos do Colégio Estadual Presidente Costa e Silva, no bairro da Ribeira, ainda discutem quem passaria a dar o nome à instituição - os mais cotados são o educador Paulo Freire e a religiosa baiana Irmã Dulce. "Estamos na fase de consultas aos envolvidos para definir um nome, que pode até continuar o mesmo, se esse for o desejo da comunidade", afirmou o diretor da escola, Jener Freire.