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Saída de ministro da Saúde ainda não está nos planos de Dilma, dizem interlocutores

Avaliação inicial é de que a costura política para que Marcelo Castro chegasse à Pasta foi difícil e ainda não houve tempo hábil para que ele faça seu trabalho

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Carla Araújo, Daiene Cardoso e Isadora Peron,
O Estado de S.Paulo

26 Janeiro 2016 | 17h11

BRASÍLIA - Apesar de o governo reconhecer que as últimas declarações do ministro da Saúde, Marcelo Castro, foram "infelizes" e que o ministro pode cair "pela boca", a presidente Dilma Rousseff ainda não trabalha com a possibilidade de demiti-lo, segundo interlocutores do Planalto. A avaliação inicial é de que a costura política para que Castro chegasse à Pasta foi difícil e ainda não houve tempo hábil para que ele faça seu trabalho no Ministério.

Alguns membros do governo cogitam, inclusive, que parte do desgaste em torno do nome de Castro seja uma espécie de "fogo-amigo" ou até mesmo um trabalho de articulação do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para tirar da Pasta um aliado do deputado e líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani. Para interlocutores da presidente, não teria razão para o governo comprar "uma briga" com nenhuma ala do PMDB agora.

Castro chegou ao governo como uma indicação de Picciani, que agora trabalha para permanecer na liderança do partido. Para o Planalto, a permanência do parlamentar pode ajudar a frear o processo de impeachment. Segundo fontes, Dilma teria elogiado o desempenho do ministro em conversas no fim do ano e deixado claro que está ciente da colaboração política dele ao Palácio do Planalto.

Além disso, a avaliação é de que o ministro está no cargo há pouco tempo e ainda é preciso ter "paciência" para colher resultados do trabalho. A expectativa é que os aliados de Castro procurem o ministro e integrantes do governo nesta terça-feira, 26, para medir a temperatura da crise política. Hoje, o próprio Picciani saiu em defesa do ministro da Saúde, Marcelo Castro.

"Ele é um excelente quadro, tem feito um bom trabalho", afirmou o candidato à recondução ao post de líder do PMDB. Picciani, inclusive, foi a um encontro nesta tarde com o ministro. Após a reunião, o deputado classificou como "intrigas" as notícias de que a presidente estaria descontente com o trabalho do peemedebista à frente da pasta.

"Vim aqui dizer que ele tem o apoio da bancada do PMDB. O ministro está fazendo tudo que pode para combater o mosquito da dengue", disse Picciani. O deputado afirmou ainda que a relação entre Dilma e o ministro continua "muito boa" e relativizou a preocupação do Palácio do Planalto em relação às declarações de Castro sobre o avanço do número de casos de dengue e de zika.

"Nem foram tão polêmicas assim. As pessoas exageram", afirmou. Desde que assumiu o ministério, Castro tem feito várias declarações polêmicas. Apenas envolvendo o Aedes Aegypti foram quatro. Nessa segunda, ele afirmou que o Brasil estava, há três décadas, "perdendo feio a batalha para o mosquito".

O governo avalia que o ministro da Saúde está desgastado e vem perdendo as condições políticas de permanecer no cargo em razão de suas declarações polêmicas e da ineficiência ao tratar do avanço da dengue e do zika. O deputado Hugo Motta (PB), que disputa a liderança do PMDB contra Picciani, usou sua conta no Twitter para manifestar apoio a Castro.

"Bom dia, amigos, quero registrar o nosso apoio e confiança no trabalho do ministro Marcelo Castro à frente do Ministério da Saúde", escreveu o peemedebista nesta manhã. "A luta contra o mosquito é de responsabilidade de todos nós. Não tenho dúvidas que, com o empenho de todos e o suporte do governo federal, vamos conseguir avançar na batalha contra o Aedes Aegypti".

Líder da bancada que indicou o ministro no ano passado, Picciani acredita que todas as declarações de Castro são no sentido de chamar a população para refletir e se mobilizar contra o avanço da dengue. Aliados do ministro no Congresso ouvidos pelo Broadcast Político, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, concordam que Castro precisa ser mais cauteloso e mais didático em suas declarações. Eles, no entanto, avaliam que tanto peemedebistas quanto petistas têm interesse em derrubá-lo, portanto é preciso esclarecer o que é intriga e o que é realidade. "Tem muito fogo amigo do PT e do PMDB", lembra um aliado de Castro.

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