'Rio não se sobressai quando o tema é práticas de corrupção', diz procurador

Eduardo El Hage, da força-tarefa da Lava Jato, disse que já trabalhou em outros Estados e que 'o modus operandi era muito parecido'

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

07 Dezembro 2017 | 17h39

RIO – Os esquemas de corrupção identificados pelo braço da Operação Lava Jato no Ministério Público Federal do Rio, que levaram à prisão o ex-governador Sergio Cabral, ocorrem em outros Estados, afirmou nesta quinta-feira, 7, o procurador da República Eduardo El Hage, integrante da força-tarefa.

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“O Rio de Janeiro de forma alguma se sobressai quando o tema é práticas de corrupção”, disse El Hage, em palestra no “II Fórum: a mudança do papel do Estado: estratégias para o crescimento”, promovido pela Fundação Getulio Vargas, em parceria com a Universidade Columbia.

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O procurador destacou que já trabalhou nas Procuradorias Regionais da República de outros Estados, como Mato Grosso do Sul, Tocantins e Bahia. Segundo El Hage, em todos os casos de corrupção no qual trabalhou, “os modus operandi era muito parecido e semelhante”.

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“O que conseguimos aqui no Rio foi desmantelar uma organização criminosa instalada há muito tempo”, disse El Hage, completando que isso foi por causa de modernas técnicas de investigação e mudancas na lei, fortalecendo o instrumento da delação premiada. “Não tenho dúvida que em outros Estados a situação se repete e daí para pior”, completou El Hage.

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Para El Hage, o caso fluminense pode ter sido tão grave por causa dos investimentos para eventos como a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016.

LEIA MAIS notícias sobre a Operação Lava Jato O procurador destacou que o Rio está mais à frente em termos de investigações de esquemas de corrupção na esfera estadual, à frente inclusive do Paraná, cuja Procuradoria Regional da República começou a Lava Jato. “O Rio está na vanguarda”, disse El Hage, destacando que o trabalho ainda não terminou. “2018 vai haver muito mais coisa por aí. O trabalho é imenso”, disse o procurador. 

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