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Fábio Motta/Estadão

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Empresa particular fará resgate dos destroços do avião em Paraty

Retirada ficará a cargo do proprietário da aeronave, o grupo hoteleiro Emiliano; operação é complexa porque o local onde estão os destroços é muito raso

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Fábio Grellet, enviado especial a Paraty, e Vinicius Neder ,
O Estado de S.Paulo

21 Janeiro 2017 | 14h25

PARATY (RJ) e RIO - O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aéreos (Cenipa) informou neste sábado, 21, que a conclusão da operação para retirada do fundo do mar do avião bimotor que levava o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki, morto em acidente aéreo na última quinta-feira, 19, ficará a cargo do proprietário da aeronave, o grupo hoteleiro Emiliano. O empresário Carlos Alberto Filgueiras, dono do hotel, e mais três pessoas também morreram no acidente.

Uma empresa particular será responsável pelo resgate dos destroços do avião que caiu no mar, a menos de dois quilômetros de Paraty. O Cenipa, órgão da Aeronáutica responsável pela principal investigação sobre as causas do acidente, fez as primeiras intervenções e constatou que a operação de resgate será mais complexa do que se supunha.

"Nossa primeira missão sempre é resgatar as vítimas, o que concluímos ontem. A segunda prioridade é encontrar o gravador de voz, o que também já fizemos, e a terceira é estabilizar a aeronave, evitando que as condições para a retirada dela piorem", contou o tenente-coronel aviador Edson Amorim Bezerra, responsável pela investigação sobre a queda desse avião.

Ele disse que ontem foram instaladas boias e, em seguida, amarrado o aparelho, que está ancorado. Por conta das bóias e do movimento da maré, neste sábado, o avião flutuou totalmente, perdendo o contato com o fundo do mar, de acordo com o Bezerra. "Durante essa operação verificamos que a retirada do avião será complexa, porque ele está num local muito raso, onde a profundidade é de apenas três metros", afirmou.

Segundo Bezerra, se fosse uma operação simples, a própria Aeronáutica faria o resgate. "Poderíamos usar um navio que está perto e a Petrobrás nos ofereceu, mas ele não chega no local onde o avião está, devido à profundidade. Nesses casos é preciso contratar uma empresa especializada, e cabe ao dono do avião arcar com o custo", comentou.

A seguradora já contratou uma firma sediada no Rio, cujos agentes devem chegar a Paraty ainda na tarde deste sábado. A empresa vai estudar o caso, montar um plano de retirada que será submetido à Marinha e ao Cenipa e, então, o resgate será feito, segundo o responsável pela investigação.

Resgate. "Por enquanto a operação de resgate da aeronave está parada e não há prazo para que ela seja retomada. A retirada efetiva pode demorar dias. Enquanto isso, a Marinha vigia a área ao redor de onde o avião está e impede a navegação nesse trecho.

Quando o avião for resgatado, será encaminhado para a Base Aérea do aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro", disse.

Segundo o tenente-coronel, o gravador que registra as conversas do piloto foi encaminhado para Brasília, onde seu conteúdo será analisado. Ele disse ainda não poder avaliar qual é a causa mais provável da queda. "Estamos numa etapa preliminar, seria muito prematuro dizer qualquer coisa", afirmou.

A assessoria de imprensa do Cenipa informou que a remoção de destroços, no caso de acidentes aéreos, é sempre de responsabilidade do proprietário da aeronave.

Frequentemente, as equipes de investigação do órgão ligado à Força Aérea Brasileira (FAB) ordenam aos proprietários que não comecem a operação de remoção antes das primeiras análises, pois a disposição dos destroços serve de indícios. Após as primeiras análises, a remoção pode ser feita, informou o Cenipa.

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