FELIPE RAU/ESTADÃO
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Anexo de delação cita repasses de R$ 75 mi e 50 políticos

Cláudio Melo Filho faz menções, em 82 páginas, a ministros de Estado e parlamentares; além de Temer, Rodrigo Maia e Renan Calheiros são citados

Andreza Matais, Beatriz Bulla, Fabio Serapião e Mateus Coutinho, O Estado de S.Paulo

11 Dezembro 2016 | 05h00

O anexo da delação de Cláudio Melo Filho traz menções, em 82 páginas, a ministros de Estado e parlamentares. No total, cerca de 50 políticos são citados pelo ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht em Brasília. Na lista de nomes mencionados, além do presidente Michel Temer (PMDB-SP) e dos presidentes da Câmara e do Senado, respectivamente Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Renan Calheiros (PMDB-AL), o ex-executivo cita 3 ministros de Estado, 1 secretário do núcleo duro do governo, ao menos 7 ex-ministros, além de senadores, deputados, ex-parlamentares e assessores.

Todos os pagamentos citados contabilizam pouco mais de R$ 75 milhões em repasses para agentes políticos. Há relatos de doação oficial para campanhas políticas e outros pagamentos não contabilizados perante a Justiça Eleitoral. Na delação, o ex-executivo detalha pagamentos feitos pelo Setor de Operações Estruturadas da empresa, conhecido como departamento de propina. 

“O propósito da empresa, assim, era manter uma relação frequente de concessões financeiras e pedidos de apoio com esses políticos, em típica situação de privatização indevida de agentes políticos em favor de interesses empresariais nem sempre republicanos”, afirma o ex-executivo no anexo entregue ao Ministério Público Federal.

Interesses. Melo Filho relata pagamentos a parlamentares para aprovação de medidas provisórias e projetos de lei principalmente de temas tributários. O senador Romero Jucá (PMDB-RR) era considerado o patrocinador da agenda legislativa da Odebrecht no Congresso. O delator relaciona ao menos 14 projetos e medidas provisórias de interesse da empresa que foram objeto de discussão com Jucá e eventual repasse para atender à empreiteira. 

As informações de todos os delatores da Odebrecht precisam ser formalmente colhidas em depoimento e validadas pelo Supremo Tribunal Federal, em homologação pelo ministro da Corte Teori Zavascki. Além de Melo Filho, outros dois executivos exerciam a função de “relações institucionais”, cargo responsável pelo lobby da empresa em Brasília. Apesar disso, ele relatou que cada braço do grupo Odebrecht tinha suas próprias articulações.

O ex-executivo cita ainda ao menos oito empresas do grupo que mantinham contato com parlamentares. Entre elas, a petroquímica Braskem.

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