Renan tenta acordo com PSDB para votação no Conselho

Senador e aliados buscam a votação nesta sexta do arquivamento da representação

Agencia Estado

15 Junho 2007 | 15h13

Cercado de seguranças e de um batalhão de jornalistas, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), deixou o gabinete da Presidência do Senado para procurar o PSDB em busca de um entendimento. Ele se reuniu com os senadores Marconi Perillo (GO) e Marisa Serrano (MS), representantes do PSDB no Conselho de Ética. O líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM) disse nesta sexta-feira, 15, que os fatos novos apresentados no Jornal Nacional - de que o senador teria apresentado notas frias para provar que pagou pensão com recursos próprios - não alteram a posição do partido no Conselho de Ética, que é pedir preferência para o voto separado, ouvir testemunhas e pedir perícia dos documentos. A intenção de Renan é conversar com todos os membros do conselho em busca de uma saída para a mais nova crise deflagrada com a divulgação de informações de que os documentos e notas fiscais apresentado por ele apresentaram irregularidades. Representantes do PSDB e do DEM dizem que há muito pouco espaço para mediar um acordo, pois são contra o encerramento da investigação no Conselho nesta sexta. "Nós do PSDB e do DEM estamos impávidos nas nossas posições. Queremos o sobrestamento, perícia nos documentos e a oitiva de duas pessoas (Cláudio Gontijo, da construtora Mendes Júnior, e Mônica Veloso)", disse a jornalistas o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM). "Se as notas forem frias, a quebra de decoro estaria claramente considerada", falou em "hipótese" o líder do DEM, senador José Agripino (DEM-RN). Renan iniciou cedo sua batalha para encerrar o caso. Reuniu-se com aliados e com o relator do Conselho de Ética, apresentou novos documentos e convocou o colégio de líderes em seu gabinete, mas a oposição recusou-se a comparecer. Posteriormente conseguiu o encontro com os dois líderes de oposição, Virgílio e Agripino. "Fiz questão de vir fazer uma visita a todos os senadores não para formar cabeças, mas para trazer a verdade. Não estou pedindo o direito da dúvida, estou trazendo a certeza da verdade", afirmou Renan a jornalistas um pouco antes do início da reunião do Conselho de Ética. O senador apresentou às lideranças da oposição documentos e cheques para comprovar sua declaração de rendimentos. Renan está acompanhado pelo líder do PMDB, Valdir Raupp (RO), pelo líder do governo no Senado, Romero Jucá(PMDB-RR) e pela líder do PT no Senado, Ideli Salvati (SC). Enquanto a oposição tenta adiar a votação do relatório do senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA), que defende o arquivamento da representação, os aliados de Renan estão se articulando para aprovar nesta sexta o parecer. O senador Gilvam Borges (PMDB-AP) aconselhou Renan a insistir na votação do parecer ainda nesta sessão e barrar a estratégia da oposição. "Hoje temos oito votos suficientes para aprovar o relatório. Se o tempo passar, complica a situação de Renan. Amanhã ninguém sabe o que pode acontecer", disse o senador, que esteve cedo com Renan Calheiros para manifestar essa posição. A denúncia original contra Renan foi feita pela revista Veja, que apresentou indícios de que o senador teria tido despesas com uma filha que teve com a jornalista Mônica Veloso pagas por um suposto lobista da Mendes Júnior. O senador e a empreiteira negam as acusações. Texto ampliado às 12h27. (Com Reuters)

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.