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Renan nega manobra protelatória para adiar abertura de CPI da Petrobrás

Débora Álvares - O Estado de S. Paulo

07 Maio 2014 | 12h 13

Presidente do Senado muda discurso e tenta se descolar da imagem de que quer adiar o início das investigações; segundo ele, não lhe cabe dizer como a comissão vai funcionar

Brasília - O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), sinalizou que não vai se valer dos questionamentos que o PT deve apresentar na sessão do Congresso na noite desta quarta-feira, 7, para adiar ainda mais o início do prazo de indicações para a CPI mista da Petrobrás. "Não cabe ao presidente dizer qual CPI vai funcionar. Eu responderei sob essa ótica", disse. Ele também negou que a convocação da sessão do Congresso seja uma manobra protelatória.

Por meio da senadora Gleisi Hoffmann, os petistas vão alegar uma questão de "prevalência", para tentar sobrepor a CPI do Senado, que deve ser instalada primeiro, sobre a CPMI. O argumento dos governistas é que a comissão instalada primeiro tem poder de investigação.

Regimentalmente, Renan pode enviar a questão para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o que atrasaria a definição sobre a CPI mista. Nesta quarta, contudo, ele indicou que não vai se valer da manobra. "Ninguém está pensando em ganhar mais tempo ou perder tempo. O presidente tem que manter o equilíbrio."

Para tentar descolar de si a imagem de alguém que trabalha contra uma investigação por parlamentares, Renan mudou o discurso que vinha usando. "CPI ajuda mesmo quando as coisas estão sendo investigadas por canais normais. É uma investigação sob a ótica legislativa", afirmou.

Antes, o presidente do Senado se posicionava contra a comissão de inquérito, alegando o perigo de a investigação, em ano eleitoral, ser usada para fins de promoção. Ele alegava ainda que a Polícia Federal, o Ministério Público e o Tribunal de Contas da União já investigam as denúncias contra a Petrobrás, que são alvo da comissão de inquérito.

Renan não discorreu sobre sua expectativa quanto à decisão do Supremo Tribunal Federal, cujo plenário ainda precisa decidir sobre a determinação da ministra Rosa Weber de mandar instalar imediatamente a CPI exclusiva da Petrobrás. "O que eu quero é que o Supremo decida, de uma forma ou de outra, mas decida coletivamente para que tenhamos um rumo definitivo toda vez que se repetir essa questão", finalizou.

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