Renan e Salgado foram alvo de ação em Goiás

Senador do PSOL entra com representação por ligação de ex-relator com Renan

Agencia Estado

21 Junho 2007 | 12h56

Antes mesmo do relator do processo contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ter renunciado, José Nery (PSOL-PA) pediu o afastamento de Wellington Salgado (PMDB-MG) do cargo. Filiado ao partido que entrou com a representação contra Renan, Nery alegou que o fato de Salgado e Renan terem sido alvo de uma ação na Justiça de Goiás comprometeria sua decisão no conselho e se prontificou a entregar toda a documentação do processo. O Estado publicou reportagem sobre o caso em agosto, quando Salgado assumiu a presidência da Comissão de Educação do Senado. De acordo com a denúncia, ele foi acusado de simular, em 1996, um contrato de comodato por 20 anos com a Campanha Nacional das Escolas da Comunidade, na época presidida por Renan, para ocupar um terreno de 5.388 metros, onde deveria ser edificada uma escola para crianças carentes. A cláusula 4 do contrato revela a existência de um documento paralelo definindo um pacto de compra e venda do terreno, onde hoje funciona a Faculdade Universo, da sua família, com 12 mil alunos. O terreno hoje vale cerca de R$ 4 milhões. Em resposta, Salgado reconheceu a ação. ´Existe a ação pública, só que quem deu esta informação a V.Exa. deveria estar sob efeito de alguma substância proibida, de alguma erva daninha, não sei com quem é que V.Exa anda´, ironizou. Na época em que a reportagem foi publicada, Salgado disse ao Estado que quando ocorreu a compra do terreno não conhecia Renan. ´Ele só assinou o contrato, quem vendeu foi o outro presidente´, alegou. Renan também negou a denúncia. Renúncia Menos de 24 horas depois de ter assumido a função de relator do Conselho de Ética do Senado, Salgado renunciou ao cargo, irritado com o adiamento, pela terceira vez, da votação do processo. Ao comunicar sua renúncia, Salgado disse que o conselho está se prestando a um papel que não deveria. ´Aqui começou um grande jogo que eu não sei como vai acabar. É um jogo sujo, a luta pela coroa´, afirmou. Em seguida, explicou que a coroa era uma referência à presidência do Senado. Sua renúncia foi prontamente aceita pelo presidente do Conselho de Ética, Sibá Machado (PT-AC). Salgado deve ser substituído por outro peemedebista. Os mais cotados são Leomar Quintanilha (TO) e Valter Pereira (MS). O novo relator deve ser definido até sexta-feira. Renan é acusado de ter suas despesas pessoais - como a pensão alimentícia para a jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha fora do casamento - pagas pelo lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior.

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