Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Renan e Aécio armam 'queda de braço' em disputa por cargo da Mesa do Senado

Após PSDB apoiar a candidatura de Luiz Henrique (PMDB-SC) para presidência do Senado, Renan quer impedir que tucanos ocupem cargo na Mesa Diretora da Casa

Erich Decat e Isadora Peron, O Estado de S. Paulo

04 Fevereiro 2015 | 19h38

Brasília - A indicação dos nomes para ocupar os cargos da Mesa Diretora do Senado tornou-se na tarde desta quarta-feira, 4, um briga direta entre o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG).

Renan não contou com apoio dos tucanos na disputa realizada no último domingo em que foi reeleito para o comando da Casa. Na ocasião, a bancada do PSDB apoiou o nome do senador Luiz Henrique (PMDB-SC), derrotado por Renan. O senador alagoano considera que os tucanos romperam com o acordo da proporcionalidade, uma vez que tinha sido escolhido pela maioria da bancada do PMDB para a presidência do Senado. 

O contragolpe de Renan veio nesta tarde com o apoio construído nos bastidores à candidatura de Vicentinho (PR-TO), lançado para disputar a primeira secretaria da Casa. O cargo pela proporcionalidade deveria ficar com o PSDB. "Se engendrada essa grande articulação lamentavelmente, presidente Renan Calheiros, vossa excelência deixará de ser o presidente de toda essa Casa e será o presidente daqueles que lhe apoiaram. É um gesto de violência inusitado nesta Casa, sem precedentes", afirmou Aécio Neves no plenário.

"Que fique claro que não haverá disputa presidente Renan Calheiros. Não haverá porque o PSDB, se apresentado um outro nome que desrespeite a proporcionalidade, o PSDB se retira desta disputa... não espere das oposições a compreensão que tivemos ao longos dos últimos anos quando solicitados por vossa excelência", acrescentou. 

A manobra de Renan conta com apoio da bancada do PT, segunda maior com 14 integrantes. "Fiz a opção política e o meu partido fez a opção política de respaldar essa composição [articulada por Renan]", afirmou o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE). "Nós fizemos uma opção política de estar com os lideres e partidos que fazem parte da base e que estiveram com a candidatura de vossa excelência [senador Renan Calheiros]. Isso não é nenhum crime", acrescentou. 

Além do PSDB, o PSB que também não apoiou Renan na briga pelo comando da Casa deve ficar sem cadeira na Mesa Diretora. O PSB tinha a expectativa de conquistar a terceira ou a quarta secretaria, mas pelo novo acordo construído pelo peemedebista, as vagas devem ser disputadas, respectivamente, por Gladson Cameli (PP-AC) e petista Angela Portela (PT-RR).

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