Renan declarou como seu gado que era da própria mãe

Perícia da PF conclui que guia de venda de gado de Renan diverge de nota

Agencia Estado

21 Junho 2007 | 12h55

Os resultados da perícia elaborada pelo Instituto Nacional de Criminalística (INC), da Polícia Federal (PF), aos quais a Agência Estado teve acesso na terça-feira, constatou que as Guias de Trânsito Animal (GTA) emitidas no Estado de Alagoas "foram apresentadas de forma desvinculada das notas fiscais de venda" de gado. Os peritos informam, também, que três lotes de animais vendidos supostamente por Renan pertenciam a outros vendedores de gado, como a mãe do senador, Invanilda Calheiros, e seu irmão Remi Calheiros.Os documentos foram encaminhado ao Conselho de Ética do Senado na terça. Como pontos divergentes, os peritos mencionam: 1) As notas fiscais citam a Fazenda Santa Rosa como origem de 80 animais vendidos em 2006, enquanto as GTAs mencionam a mesma fazenda como origem de "30 animais vendidos em 2004, 417 vendidos em 2005, 340 em 2006 e 42 em 2007"; 2) "Não há vínculo das informações constantes das GTAs, a título de data e quantidade de animais com as especificadas nas notas fiscais. (...) as datas de saída do gado constantes das notas fiscais de venda são as mesmas das de emissão do documento fiscal"; 3) "As quantidades de bovinos vendidos mensalmente são divergentes daquelas informadas nas GTAs"; 4) "Algumas das GTAs indicam outros vendedores de gado, quais sejam: Ivanilda Calheiros, Regina Magalhães e Remi Calheiros"; 5) "Grande parte dos destinatários do gado vendido, cujos nomes constam das GTAs, não coincide com aqueles informados nas notas fiscais de venda apresentadas". De acordo com os peritos, as informações contidas nas GTAs "não foram suficientes para se concluir, de forma irrefutável, que eram referentes às notas fiscais". Ressaltam ainda os peritos que "várias informações preenchidas nas guias são divergentes daquelas presentes nas notas fiscais" cujas cópias foram encaminhadas pelo senador com o objetivo de comprovar a posse de recursos próprios para pagar pensão da filha. Cópias dos documentos foram apresentados pelo senador para comprovar que possui recursos próprios para pagar pensão a uma filha e que essas despesas não foram pagas pelo lobista da empreiteira Mendes Júnior Cláudio Gontijo. Segundo Renan, os documentos comprovam que não há duplicidade de recibos de venda de gado de sua fazenda em Alagoas. O Jornal Nacional, da TV Globo, havia acusado o senador de fraudar notas fiscais, recibos, guias de depósitos, cheques e GTAs relacionados às suas atividades agropecuárias. A Polícia Federal entregará o laudo sobre a autenticidade dos documentos nesta terça ao Conselho de Ética. Segundo Renan, há dois recibos diferentes mencionando o mesmo número de cheque - 409.571, do Banco HSBC, assinado por Marcelo Nunes Amorim, com valores diferentes -, por causa de um erro de digitação em um dos recibos. Para comprovar a afirmação, o senador exibiu dois cheques nos valores correspondentes aos dois recibos. Além da insuficiência das conclusões, o laudo do INC reforça suspeitas de que alguns dos documentos teriam sido produzidos em cima da hora para servir à defesa do senador, pois foram fornecidos por empresas não habilitadas. Um exemplo é o caso da empresa GF da Silva Costa e Stop - Comercial de Carnes e Derivados Ltda., mencionada por Renan como uma das que teriam comprado gado de fazendas dele situadas em Alagoas.

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