André Dusek/Estadão
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Renan vai dar início à análise no Congresso do parecer pela rejeição das contas de Dilma

Presidente do Senado recebeu na semana passada documento do Tribunal de Contas da União; ele nega que esteja protelando

Ricardo Brito, Agência Estado

20 Outubro 2015 | 12h53

Brasília - O presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), negou nesta terça-feira, 20, que esteja demorando em decidir sobre a tramitação do parecer do Tribunal de Contas da União (TCU) que recomendou a reprovação das contas do governo da presidente Dilma Rousseff do ano passado. "Não (estou demorando), é que isso estava sendo processado e hoje eu darei o despacho definitivamente", disse ele.

Na quinta-feira passada, com a ajuda de Renan, o governo conseguiu adiar para esta semana a tramitação no Legislativo do parecer do TCU. Mesmo com o acórdão da Corte tendo chegado no dia anterior ao Senado, Renan ou qualquer outro presidente em exercício do Senado não fez a leitura do documento em plenário na sessão da Casa.

Sem essa formalidade, o governo "ganhou" quase duas semanas de fôlego para a análise do parecer pelo Congresso: a decisão do TCU que, por unanimidade, recomendou a reprovação das contas de Dilma ocorreu no dia 7 e a leitura pelo Senado só deve ocorrer na próxima terça-feira, dia 20.

Somente após a leitura é que o parecer será encaminhado para a Comissão Mista de Orçamento (CMO), colegiado responsável por avaliar inicialmente o caso. A presidente da comissão, senadora Rose de Freitas (PMDB-ES), já avisou que só vai escolher o relator do parecer assim que receber formalmente o documento. Rose estuda indicar para a relatoria os senadores Acir Gurgacz (PDT-RO), João Alberto (PMDB-MA), Raimundo de Lira (PMDB-PB) ou até mesmo a si própria, avocando o caso para ela.

Há duas semanas, o Broadcast Político já havia mostrado que, numa articulação acompanhada de perto por Dilma, a cúpula do PMDB do Senado começou a articular nos bastidores uma operação para jogar o julgamento das contas do governo da petista pelo Congresso para 2016. Querem, com isso, esfriar a discussão do impeachment da presidente. Hoje, mesmo questionado, Renan não quis se aprofundar se a votação do caso no Congresso vai mesmo ficar para o próximo ano. 

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