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Renan ajuda Planalto e adia criação de CPI

Débora Álvares e Ricardo Brito - O Estado de S. Paulo

02 Abril 2014 | 18h 13

Presidente do Senado deixa para comissão dar palavra final sobre ampliação das investigações

Brasília - (atualizado às 22h04) Ciente das dificuldades de barrar a abertura da CPI da Petrobrás, a base governista no Senado conseguiu nesta quarta-feira, 2, adiar o início das investigações e abriu caminho para a instalação de uma CPI "combo", que atingiria também a oposição. Em manobra acertada com o Palácio do Planalto, o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), rejeitou recursos que questionavam o alcance das apurações, mas deixou a palavra final para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Se a decisão de Renan for confirmada, a investigação também terá como foco o cartel do metrô em São Paulo e irregularidades no Porto de Suape, em Pernambuco, denúncias que atingem adversários da presidente Dilma Rousseff na campanha ao Planalto. "Não são duas CPIs. É apenas uma CPI acrescida por outro fato determinado", disse Renan.

A intenção do governo é atrasar ao máximo a instalação da CPI, caso não seja possível barrá-la. A aposta é que as denúncias envolvendo a Petrobrás vão perder fôlego e que nos próximos meses, com a Copa e o início efetivo da campanha eleitoral, a CPI ficará deserta.

Renan atuou em sintonia com o Planalto. Na noite da última terça, 1, o peemedebista conversou com Dilma. Nesta quarta, discutiu com os ministros da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e das Minas e Energia, Edison Lobão, a estratégia para adiar a CPI, com respaldo das bancadas do PT e do PMDB.

‘Manobra’. A oposição chamou a operação de "manobra". O pré-candidato do PSDB, senador Aécio Neves (MG), afirmou que vai recorrer ao Supremo Tribunal Federal para garantir o direito da oposição de fazer a CPI. "Vamos deixar de hipocrisia. A manobra da senadora Gleisi (Hoffmann, do PT do Paraná), ou por ela comandada, serve única e exclusivamente aos interesses do Palácio do Planalto. Submete essa Casa a uma sessão vergonhosa."

Gleisi rebateu: "Manobra, essa palavra é muito forte. Estamos fazendo um debate político com base no regimento, nas disposições constitucionais e na legislação deste País". A petista disse que Aécio "talvez esteja constrangido" em relação às denúncias de cartel envolvendo gestões tucanas em São Paulo.

Mista. Além da ação no Senado, os aliados vão trabalhar na retirada de nomes do requerimento da CPI Mista da Petrobrás, encampada pela oposição. Ela foi protocolada nesta quarta, com 231 assinaturas de deputados e 30 de senadores. Com menos de 171 deputados e 27 senadores, o pedido será enterrado. A base tem até 15 de abril, quando está marcada a sessão do Congresso em que será feita a leitura do pedido, para obter êxito. Outro plano é criar uma CPI Mista ampliada, a exemplo do Senado.