Renan aceita adiamento da votação do parecer de relator

Proposta parte do PSDB e do DEM, com apoio de senadores do PT e PSB

Agencia Estado

18 Junho 2007 | 09h39

O Conselho de Ética do Senado continua discutindo o processo contra o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL). Temendo ser derrotado na estratégia de arquivar o processo ainda nesta sexta-feira, 14, Renan já aceitou o adiamento da votação do parecer do senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA) para a próxima terça-feira. O próprio Renan recomendou essa posição ao líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), um de seus principais defensores, apesar de não integrar o Conselho. A proposta de adiamento da votação partiu do PSDB e do DEM, com apoio de senadores do PT e PSB. Governistas aliados do presidente do Senado, cederam às pressões da oposição e aceitaram adiar para terça-feira, 19, a votação do parecer final sobre a acusação de que ele teria despesas pagas por um suposto lobista de uma construtora. PSDB, DEM, PSOL e PDT exigiram o adiamento da votação sob o argumento de que os documentos antigos e novos apresentados pelo senador deveriam ser periciados e as testemunhas, ouvidas. Os oposicionistas querem ouvir a ex-apresentadora de TV Mônica Veloso, com quem o senador tem uma filha, e Cláudio Gontijo, da construtora Mendes Júnior, que teria pago, segundo reportagem da revista Veja, pensão alimentícia à jornalista. O relator do processo, senador Epitácio Cafeiteira (PTB-MA), já havia anunciado que pediria o arquivamento do processo que corre no Conselho de Ética do Senado. Se a denúncia, representada pelo PSOL, for acolhida, Renan teria de responder por processo de quebra de decoro parlamentar, que, no limite, poderia resultar na cassação do seu mandato. Nesta manhã, Renan Calheiros se reuniu com os aliados da base governista e apresentou novos documentos à oposição. Na noite de quinta-feira, o Jornal Nacional da Rede Globo mostrou reportagem que colocou em xeque os documentos apresentados por Renan ao Conselho. Eles comprovariam a origem dos recursos que o senador teria utilizado para pagar ele próprio a pensão da jornalista. "Apresento o registro de toda a comercialização realizada nos últimos anos, notas fiscais e recibos de venda de gado emitidos por Renan", disse durante sessão no Conselho de Ética o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), exercendo o papel de advogado político do presidente do Senado. "Todas as operações foram realizadas com cheques nominais, emitidos por empresas que disseram na reportagem (do Jornal Nacional) que não existiam. Apresento também os depósitos feitos na conta de Renan referentes a esses cheques nominais. Estão aqui comprovadas todas as documentações", afirmou ainda Jucá. O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) pediu tempo para que os novos documentos fossem analisados e afirmou que o Senado não pode votar o processo "às cegas". "Uma simples reportagem de uma emissora de TV derrubou todas as argumentações do relator", afirmou. O clima no Senado nesta sexta-feira, 15, relembrava o ambiente da época do escândalo do mensalão, em 2005. Dezenas de repórteres brigando para conseguir declarações de Renan, assessores nervosos e muita tensão no ar. Renan Calheiros deu uma rápida entrevista em meio ao tumulto e fez críticas ao jornalismo brasileiro, dizendo que não lhe cabia analisar a pauta do Conselho de Ética "nem a ética do jornalismo". (Colaborou Natuza Nery, da Reuters) Texto atualizado às 14h10

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.