Relator das contas de Dilma no Senado é réu no STF

Gurgacz pediu financiamento de R$ 1,5 milhão ao Banco da Amazônia em 2002, quando era diretor de uma empresa de ônibus, mas teria usado o dinheiro para compra de combustível, segundo o MPF

O Estado de S. Paulo

22 Outubro 2015 | 21h01

Brasília - O senador Acir Gurgacz (PDT-RO) é réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por suposto crime financeiro e estelionato.  Em nota, o senador se defendeu argumentando que o processo não está ligado diretamente a ele. Gurgacz foi anunciado nesta semana como relator do parecer que recomenda a rejeição das contas de 2014 do governo.

As denúncias foram feitas em fevereiro pelo Ministério Público. De acordo com a acusação, Gurgacz pediu financiamento de R$ 1,5 milhão ao Banco da Amazônia em 2002, quando era diretor de uma empresa de ônibus, mas teria usado o dinheiro para compra de combustível.

O senador também teria usado documentos falsos para comprovar a aquisição de sete ônibus novos no valor de R$ 290 mil cada. Entretanto, a perícia avalia que os veículos já tinham mais de dez anos de uso e custaram R$ 12 mil cada um. Teori Zavascki, ministro relator do processo no STF, considerou que o réu induziu a instituição financeira a erro. O processo corre em segredo de justiça e está em fase de acolhimento de novos depoimentos e provas.

Acir Gurgacz se defendeu em nota divulgada à imprensa, alegando que a ação judicial não é diretamente contra ele, mas relacionada à empresa da qual participa. Segundo ele, o empréstimo foi feito em 2003, quando estava afastado da administração da empresa. Ele disse confiar que o STF vai considerar que ele não está envolvido em irregularidades e estranhou que os fatos venham à tona no momento em que é indicado para relatar as contas do governo.  

Críticas ao governo. Gurgacz já se manifestou em sua conta no Twitter criticando a política econômica do governo. Em setembro, defendeu a substituição do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, após o rebaixamento do grau de investimento do País. Ele disse que o acontecimento deveria servir "para que o governo acorde" e que era "hora de mudar, inclusive de ministro".

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