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Relator da CPI diz que oposição desrespeitou Gabrielli

RICARDO BRITO E NIVALDO SOUZA - Agência Estado

20 Maio 2014 | 15h 18

O relator da CPI da Petrobras do Senado, José Pimentel (PT-CE), afirmou nesta terça-feira, 20, que a oposição foi "desrespeitosa" ao não participar do depoimento do ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli. Em entrevista logo após o final da fala do ex-presidente da estatal, o petista disse que a base aliada cumpriu a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de instalar a CPI encabeçada pelo pré-candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves. "Portanto, um desrespeito são aqueles que apresentam um projeto de CPI, vão ao Supremo, têm ganho de causa e não indicam os seus membros", afirmou.

Durante as mais de três horas e meia de depoimento, nenhum integrante da oposição passou pelo plenário. O senador Aníbal Diniz (PT-AC) chegou a brincar durante a fala de Gabrielli que a oposição usou a tática do "FFF: "fez fumaça e fugiu". "É verdadeiramente uma pena que os líderes do PSDB tenham se negado a fazer parte dessa comissão. Foi algo muito prejudicial a essa comissão", criticou Diniz. O ex-presidente da Petrobras foi questionado apenas por senadores da base governista e aproveitou para alfinetar a oposição, dizendo que todas as contratações da estatal são feitas com base na Lei de Licitações elaboradas em 1998, pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB-SP).

Gabrielli classificou como "extremamente perigoso" e "extremamente condenável" o fato de a oposição dizer que a estatal está em crise. Em entrevista logo após seu depoimento, ele disse que a Petrobras é uma empresa sólida, bem administrada e com perspectiva de crescimento que estão "querendo destruir". "Há muita ficção nas ações que a oposição está tendo", afirmou.

O ex-dirigente disse considerar muito estranho que os proponentes da CPI não tenham comparecida ao encontro. Segundo ele, foram feitas mais de 200 perguntas detalhadas, às quais ele forneceu respostas. "Eu acho muito ruim que os proponentes da CPI estejam ausentes", frisou.

No depoimento, Gabrielli também rebateu acusações de que a adaptação do projeto da Refinaria Abreu e Lima seja alvo de superfaturamento e justificou que as dúvidas do Tribunal de Contas da União (TCU) quanto à execução do projeto se devem a divergências sobre a tecnologia de construção.

Em outro momento, Gabrielli citou nominalmente o ex-senador tucano Tasso Jereissati (PSDB-CE) como um articulador entre a Petrobras e investidores da Arábia Saudita, interessados em fazer aportes em refino de petróleo no Ceará. A Petrobras, contudo, optou por Pernambuco como o Estado mais adequado ao projeto.

CPI mista

A oposição aposta na instalação, hoje à noite, da CPI mista da Petrobras, contando que, com a participação de deputados federais, o governo não tenha controle absoluto das investigações.

Pimentel disse que, sozinho, fez 134 perguntas. Questionado se não faltou agressividade e se a audiência não ocorreu em clima amigável, ele respondeu: "A agressividade é típica de uma ditadura. No estado democrático de direito, você formula perguntas e ao mesmo tempo subsidia com um conjunto de outros que nós já requeremos. Portanto a forma de fazer perguntas na ditadura é uma e no estado democrático de direito é outra".

O relator afirmou que a atual CPI é uma repetição daquela que ocorreu nos anos de 2009 e 2010. "É uma matéria conhecida e, de lá para cá, o TCU fez uma série de investigações, o Ministério Público Federal e a Polícia Federal também, portanto, temos todos os dados sobre a compra de algumas refinarias. Esta CPI parte de um conjunto de documentos já apurados e cabe a nós organizarmos e ao mesmo tempo pedir mais esclarecimentos", disse. O relator se esquivou de dizer se a CPI exclusiva do Senado será esvaziada com a pressão da oposição de se criar uma CPI mista. "Nós estamos cumprindo os requerimentos de criação de CPI propostos pela oposição. Até agora a oposição não desistiu do mandado de segurança no Supremo. E não instalar as CPIs é deixar de cumprir uma decisão judicial", avaliou.