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Relação com Cunha é protocolar, sem sentimento de revanche ou antagonismo, diz Picciani

- Atualizado: 18 Fevereiro 2016 | 13h 52

Após ser reeleito líder do PMDB na Câmara, parlamentar afirma que relação com o presidente da Casa não deve atrapalhar a unificação do partido; para ele, 'temas controverso' como CPMF, ajuste fiscal e impeachment é que causam divergências internas

Atualizada às 13h50

BRASÍLIA - O líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (RJ), afirmou nesta quinta-feira, 18, que sua relação com o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), é hoje apenas "protocolar". Em entrevista ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, Picciani defendeu o direito de defesa de todos os políticos envolvidos em escândalos, como Cunha, mas pregou que, se culpados, devem ser punidos.

"Evidentemente viemos de uma disputa (pela liderança do PMDB) em que ele trabalhou contra minha candidatura e a favor de Hugo Motta (PB). Minha relação com ele tem sido dentro da cordialidade que sempre tivemos, mas não tem sido uma relação próxima. Hoje é mais protocolar, embora não tenha sentimento de revanche e de antagonismo a ele", afirmou Picciani.

O líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (RJ)

O líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (RJ)

Para o líder do PMDB, sua distância em relação a Cunha não deve atrapalhar a unificação do PMDB. "Não acredito, porque não há restrição da bancada do PMDB ao presidente da Câmara", afirmou. Picciani avaliou que, hoje, as divergências internas da bancada são motivadas por "temas controversos", como CPMF, ajuste fiscal e impeachment.

CPMF. Picciani sinalizou, na entrevista, que vai orientar a bancada pela aprovação da CPMF na Casa. "Minha opinião é que CPMF seria o remédio adequado a ser aplicado neste momento", disse. "Não tenho nenhuma paixão pelo tema, se tiver outro caminho, melhor. O problema é que não há", emendou. O deputado reconheceu, contudo, que a unidade da bancada sobre o tema é "improvável".

Reforma da Previdência. O líder disse que todos do PMDB concordam com a tese de Reforma da Previdência apresentada pelo governo até agora. "É nítido que precisamos de um ajustamento", disse. Ele defendeu, no entanto, que as propostas devem preservar os direitos adquiridos dos trabalhadores e criar uma regra de transição para os que estão no mercado de trabalho atualmente.

Impeachment. Picciani reafirmou seu compromisso de dividir as oito vagas a que o partido tem direito na comissão especial do impeachment na Câmara entre as alas da bancada, de forma proporcional. Pelos cálculos dele, dos cerca de 70 deputados do PMDB, de 20% a 25% são pró-impeachment, de 25% a 30% são "declaradamente contrários" e outros de 45% a 50% ainda "indefinidos".

Comissões. O líder do PMDB na Câmara dos Deputados avaliou, ainda, que o movimento de Cunha e de seus aliados de lançar chapas avulsas para presidência das comissões permanentes da Casa seria um ato de "extrema falta de compromisso". Ele disse acreditar, no entanto, que a ação não deverá ser "levado a cabo" nos principais colegiados.

Após ser derrotado na disputa pela liderança do PMDB, Cunha articula lançamento de candidaturas avulsas para as principais comissões permanentes, como a Comissão de Constituição e Justiça. O objetivo é tentar manter sua influência na Casa. Embora a prática na Câmara dos Deputados seja de os líderes partidários indicarem seus deputados para a presidência de comissões após divisão das vagas de acordo com o tamanho das bancadas, aliados de Cunha querem quebrar a tradição.

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