Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Reforma é ultima tentativa de Dilma para salvar governo

As mudanças ministeriais decididas pela presidente Dilma Rousseff levam em conta o puro pragmatismo. Com apenas 10% de aprovação popular, segundo pesquisa do Ibope, pressionada pela sombra do pedido de impeachment no Congresso e com a economia em frangalhos, a presidente decidiu entregar os principais cargos do seu governo em troca de apoio para salvar seu mandato. Simples assim.

Marcelo de Moraes, O Estado de S. Paulo

02 Outubro 2015 | 11h59

Não há presidente na história recente do País que não tenha feito concessões políticas para aliados na hora da composição de seus principais escalões. Em troca de apoio político, entregam-se os cargos. É péssimo - e os resultados ineficazes das políticas públicas brasileiras mostram esse prejuízo -, é condenável, mas já faz parte do jogo político. Não se trata de nenhuma inovação. A novidade é um governo ser obrigado, agora, a atender desafetos e críticos ferozes para tentar preservar o pescoço da degola.

Dilma faz a reforma para tentar apagar o "fogo amigo" disparado principalmente pelo PMDB e pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, críticos constantes durante os pouco mais de nove meses de duração do seu segundo mandato.

Nem no auge da parceria política com o PT o PMDB conseguiu tanto espaço quanto agora, justamente no período em que mais fustigou o governo dentro do Congresso, aprovando ou ameaçando aprovar projetos que colocam em risco a já combalida economia nacional. São sete ministérios, agora, sob o comando dos pemedebistas.

Ciente da fragilidade de sua situação política, a presidente aceitou desagradar seu próprio partido e passar pelo constrangimento de demitir o ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, poucos meses depois de nomeá-lo para o cargo com o discurso de trazer um especialista renomado para finalmente tentar transformar em realidade seu slogan da chamada "Pátria Educadora". Por causa dos arranjos políticos, Janine espirrou para que o ministro Aloizio Mercadante pudesse voltar a ocupar a pasta, depois de perder a Casa Civil para Jaques Wagner e atender ao desejo de Lula e melhorar a relação com o Congresso.

Provocou também mal estar ao rifar o ministro da Saúde petista, Arthur Chioro, num telefonema expresso de dois minutos de duração e dando seu cargo para o PMDB. 

Tamanho grau de concessão traz alívio momentâneo para o governo. Mas, sendo obrigada a ceder tanto, Dilma corre o risco de virar refém definitiva dos parceiros, sem garantir a preservação de seu mandato.

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