Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Reforma administrativa apequena ainda mais governo Dilma, diz Aécio

Para líder do PSDB, cortes são pouco expressivos frente a gastos e que ação da presidente foi para se manter no cargo

Julia Lindner, especial para O Estado, O Estado de S. Paulo

02 Outubro 2015 | 16h01

SÃO PAULO - Momentos depois de a presidente Dilma Rousseff anunciar nesta sexta-feira, 2, a reforma ministerial, o presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), declarou, em nota oficial, que as mudanças ficam distantes do que seria necessário para sinalizar o início de uma nova fase no País.

"A chamada reforma administrativa anunciada hoje apequena ainda mais o governo Dilma. Não em sua estrutura porque os cortes são pouco expressivos frente ao aumento excessivo de gastos do governo nos últimos anos. Assemelha-se, na verdade, a uma maquiagem", afirmou. Na declaração, Aécio diz ainda que esta é uma ação de Dilma para se manter no cargo, acusando-a de distribuir espaços relevantes de poder para assegurar votos que impeçam o afastamento dela.

"Os efeitos dessas mudanças serão efêmeros e a presidente da República continuará precisando mostrar ao País que tem condições de tirá-lo da gravíssima crise na qual seu governo nos mergulhou." Ele citou também o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, ao afirmar que uma frase dita por ele esta semana "traduz, de forma mais eloquente", a situação de Dilma: "A presidente não governa. Ela é governada". Com a nova configuração da Esplanada dos Ministérios, houve corte de oito pastas, redução em 10% do salário dos ministros e extinção de 3 mil cargos de confiança.

'Puxadinho'. O líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP), também se manifestou sobre a reforma. Em nota, o deputado afirmou que a presidente Dilma Rousseff tenta salvar o seu mandato com uma reforma ministerial "pífia" e expõe a prática do PT em lotear o governo em troca de apoio. "A reforma administrativa é atrasada e pífia diante da gravidade da crise econômica e revela também que o objetivo principal da presidente Dilma Rousseff é tentar salvar o seu mandato e aprovar o pacote de arrocho fiscal contra a sociedade", diz.

"O governo anunciou semanas atrás que seriam cortados 10 dos 39 ministérios e, no final das contas, cortou oito. Anunciou que vai cortar cargos comissionados e despesas de custeio, mas não disse qual será a economia total, quando e de que forma isso será feito", critica o tucano.

Para Sampaio, a busca de governabilidade por meio de troca de cargos é uma forma de loteamento e a reforma anunciada foi apenas um "puxadinho". "O fato é que essa reforma expõe a já notabilizada prática dos governos do PT, de Lula e Dilma, de lotear o governo", diz. 

O tucano diz ainda que, no momento, por causa da baixa popularidade da presidente, ela tenta salvar o seu mandato. "É evidente que o objetivo principal das medidas anunciadas hoje é tentar salvar o seu mandato. Entre uma reforma mais profunda, que é o que este momento de crise aguda exige e a sociedade espera, a presidente optou por um 'puxadinho'", completou.

Segundo Sampaio, o governo quer tentar aprovar mais "um pacote de arrocho fiscal" ao reorganizar sua base no Congresso e reafirmou que trabalhará para evitar novos impostos, como a CPMF. 

"Sempre será assim: entre os interesses do Brasil e os dela e do PT, a presidente ficará com o segundo. E aos brasileiros restará pagar a maior parte do prejuízo causado pela incompetência e inoperância petista. Vamos tentar impedir a aprovação de qualquer aumento de impostos", disse. 

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