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Refinaria de Pasadena não foi um bom negócio, diz presidente da Petrobrás

Eduardo Bresciani e Débora Álvares - O Estado de S. Paulo

15 Abril 2014 | 22h 25

Em estratégia do Planalto para tentar esvaziar a criação de uma CPI que investigue a estatal, Graça Foster presta depoimento no Senado, defende Dilma e tenta restringir erros do negócio

Brasília - Em audiência de mais de seis horas no Senado, a presidente da Petrobrás, Graça Foster, reconheceu nesta terça-feira, 15, que a compra da refinaria de Pasadena, nos EUA, "não foi um bom negócio". Ao responder a perguntas dos parlamentares, ela procurou blindar a presidente Dilma Rousseff e restringir a culpa pelo negócio fracassado a ex-diretores da estatal.

O objetivo do governo é esvaziar as CPIs que a oposição tenta emplacar. O Planalto ficou satisfeito com o desempenho de Graça Foster, mas senadores da base reconhecem ser difícil evitar a criação de uma comissão parlamentar de inquérito.

A compra de 50% da refinaria de Pasadena teve o voto favorável de Dilma em 2006, quando ela estava à frente do Conselho de Administração da Petrobrás, conforme revelou o Estado há um mês. Dilma justificou que a decisão foi tomada com base em um resumo executivo com "informações incompletas".

Nesta terça, a presidente da Petrobrás corroborou a versão de Dilma e culpou o responsável pelo parecer, o ex-diretor da Área Internacional da estatal Nestor Cerveró pela omissão de duas cláusulas do negócio: a Put Option, que obrigava a empresa brasileira a comprar a parte da sócia belga Astra Oil em caso de desacordo em investimentos, e a Marlim, que garantia um repasse mínimo aos belgas mesmo que a refinaria não tivesse lucro.

"É absolutamente certo que essas cláusulas não foram levadas ao conhecimento do Conselho de Administração da Petrobrás e quem tinha a obrigação de levar era o diretor internacional", afirmou Graça Foster.

Cerveró, que após a polêmica de Pasadena voltar à tona em março acabou demitido do cargo que ocupava na BR Distribuidora, vai falar hoje no Congresso.

Segundo Graça, a compra de toda a refinaria envolveu US$ 1,25 bilhão e já foram gastos US$ 685 milhões desde 2006 na modernização. Ela destacou que a Astra não teria adquirido a refinaria em 2005 por US$ 42,5 milhões. Com investimentos e outros acordos, o valor teria chegado a US$ 360 milhões.

A presidente da Petrobrás destacou que as margens de lucro em refinarias nos EUA incentivavam o negócio em 2006. Reconheceu, porém, o prejuízo e destacou que a Petrobrás já deu baixa em seus balanços de US$ 530 milhões em relação a este ativo.

Outra gestão. Foster afirmou que a estatal tem de aprender com erros e reconheceu que o processo da refinaria Abreu e Lima em Pernambuco se encaixa na mesma reflexão de "lição aprendida". Reconheceu que a ampliação do orçamento de US$ 2,5 bilhões para US$ 18 bilhões é um problema, mas ressaltou que nos últimos dois anos o negócio tem sido mantido dentro do valor proposto. Ou seja, deu a entender que tudo vem correndo bem em sua gestão, iniciada em 2012, sem garantir os resultados obtidos pelo antecessor no cargo, Sérgio Gabrielli.

Citando Abreu e Lima e o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), Graça afirmou que a companhia tem procurado evoluir na elaboração de novos projetos para que não se repitam denúncias de sobrepreço. "Quando a gente vai para a rua com projetos que não estão acabados, o sobrepreço é inevitável", disse.

Graça Foster evitou se estender quando questionada sobre as atividades de Paulo Roberto Costa na companhia. O ex-diretor de Abastecimento foi preso no mês passado na Operação Lava Jato da Polícia Federal sob suspeita de receber propina, inclusive quando estava na estatal. Graça limitou-se a dizer que a prisão causa "constrangimento" e que estão sendo "avaliadas" as ações do ex-diretor enquanto estava na estatal. / COLABORARAM RICARDO BRITO E NIVALDO SOUZA