Ed Ferreira/AE
Ed Ferreira/AE

Receita pedirá indiciamento de servidoras suspeitas de receber propina para violar sigilo de tucanos

Fisco descarta interesse político na ação de funcionárias lotadas na delegacia onde vazaram dados

Leandro Colon, de O Estado de S. Paulo

27 Agosto 2010 | 12h47

BRASÍLIA - O corregedor-geral da Receita Federal, Antonio Carlos Costa D'ávila informou, no ínicio da tarde desta sexta, 27, que as duas representações que serão encaminhadas ao Ministério Público na próxima segunda-feira serão contra as servidoras da Receita Federal Adeildda Ferreira Leão dos Santos e Antônia Aparecida Rodrigues dos Santos Neves Silva.

 

A Receita Federal informou mais cedo, também nesta sexta, que identificou encomenda externa e pagamento de propina envolvendo a violação do sigilo fiscal de pessoas ligadas ao PSDB. "Há indícios de que há um esquema. Foi identificado um esquema de compra e venda", disse o corregedor-geral.

 

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Segundo D'ávila, há indícios do envolvimento das duas servidoras e, por isso, elas serão indiciadas com base na Lei 8.112, que dispõe sobre o regime jurídico dos servidores públicos civis da União, autarquias e fundações públicas federais.

 

O corregedor-geral e também o secretário da Receita Federal, Otacílio Cartaxo, descartaram qualquer interesse político por parte das duas servidoras. "Não identificamos qualquer ilação político-partidária", afirmou o corregedor. Cartaxo reforçou o discurso: "Não acredito que tenha havido algo de natureza político-partidária. Essa informação foi vazada a partir de um pedido externo de quem o tenha formulado", disse.

 

Adeildda e Antônia estão lotadas na delegacia da Receita Federal em Mauá, no ABC paulista, local já identificado como origem da violação dos dados fiscais dos tucanos. Segundo as investigações, o computador de Adeildda foi o utilizado para abrir e imprimir dados sigilosos das declarações de renda.

 

Os documentos obtidos pelo Estado de S.Paulo revelam que, em 27 de julho, a servidora depôs no inquérito da corregedoria e afirmou que estava fora no período em que as declarações foram consultadas. A senha utilizada para acessar os dados foram de outra servidora, Antônia Aparecida, que teria repassado a senha para uma colega. Em depoimento, Antônia também nega envolvimento ao episódio.

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