Receita investigará 39 denunciados pela Xeque-Mate

PF suspeita que integrantes da máfia dos caça-níqueis movimentaram R$ 7,5 mi

Agencia Estado

21 Junho 2007 | 12h56

O Ministério Público Federal de Mato Grosso do Sul pediu que a Receita Federal faça um levantamento para apurar se os 39 denunciados pela Operação Xeque-Mate praticaram crime de sonegação fiscal. As investigações sobre a máfia dos caça-níqueis, feitas pela Polícia Federal, levantaram suspeita sobre a maioria dos envolvidos, que movimentariam por mês R$ 7,5 milhões explorando jogos. O pedido foi feito à Justiça Federal, juntamente com a denúncia criminal entregue anteontem pelo procuradores Lauro Coelho Júnior, Jerusa Burmann Viecili e Pedro Paulo de Oliveira. Apesar de os relatórios já encaminhados pela Receita mostrarem movimentação superior ao rendimento dos investigados, é preciso pedir um procedimento formal para apurar se houve sonegação e quanto deixou de ser recolhido. No item 6 da denúncia, os procuradores alegam que, ´tendo em vista o volume de recursos financeiros das quadrilhas´, é preciso enviar os nomes à Receita para ´procedimentos administrativos fiscais´. Só após essa etapa poderá ser aberta ação para cobrar o valor sonegado. A Polícia Federal juntou ao processo a análise da movimentação financeira - dos últimos cinco anos - de 27 pessoas e três empresas. Na maior parte dela, há divergências em relação aos rendimentos. Um exemplo é o do suposto líder do máfia das caça-níqueis, Nilton Cesar Servo, que em 2002 declarou ter ganho R$ 10,8 mil, mas movimentou R$ 2,1 milhões. Compadre e amigo do presidente Lula, Dario Morelli Filho declarou aumento da movimentação financeira - de R$ 176 mil, em 2002, para R$ 661 mil, em 2006. Em 2005, Morelli - acusado pela PF de ser sócio de Servo em uma casa de jogos (SP) - declarou rendimento de R$ 53 mil, mas movimentou R$ 320 mil. Habeas-corpus Servo teve na quarta-feira, 20, o seu pedido de habeas-corpus negado pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Das 58 pessoas presas em Campo Grande pela Operação Xeque-Mate, apenas sete permanecem detidas. O pedido foi rejeitado pelo desembargador federal Paulo Otávio Baptista Pereira. Servo é acusado de contrabando, formação de quadrilha, corrupção ativa e falsidade ideológica. Para o seu advogado, Eldes Rodrigues, não há justificativa para a prisão.

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