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Rebeldes da base convocam ministros; Dilma aposta em implosão de ‘blocão’

O Estado de S. Paulo

12 Março 2014 | 22h 36

PMDB volta a se unir à oposição para levar 12 integrantes do governo a dar explicações ao Congresso; temendo derrota, Planalto consegue adiar votação do Marco Civil da Internet

Brasília - No segundo dia de rebelião na base aliada, a presidente Dilma Rousseff sofreu nova derrota na Câmara dos Deputados. Depois de muita discussão, comissões da Câmara aprovaram nesta quarta, 14, pedidos de esclarecimento de dez ministros, de um secretário executivo e da presidente da Petrobrás, Graça Foster. Dilma, porém, avisou que não mudará a estratégia adotada até agora e aposta na implosão do "blocão".

Comandado pelo líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), o "blocão" formado por sete partidos da base aliada e um da oposição conduziu a convocação de ministros na comissão de Fiscalização Financeira e Controle. PSDB e DEM engrossaram a ação antigoverno.

Na terça, 11, Cunha comandou os aliados, também com a ajuda da oposição, para aprovar a criação de uma comissão externa a fim de viajar à Holanda e buscar informações sobre denúncias de pagamento de propina a funcionários da Petrobrás.

Apesar do revés no Congresso, a presidente disse a assessores ter certeza de que o "blocão" não vingará. O governo já conseguiu convencer o PP e o PDT a se retirar do grupo de rebeldes. A estratégia é ameaçar tirar ministérios dos partidos da base que se comportam como oposição.

Dilma se reuniu na tarde desta quarta com o chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e com a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, para avaliar as derrotas impostas ao governo por sua base de apoio. A presidente também conversou com o vice-presidente Michel Temer. Disse que pretende concluir a reforma ministerial na sexta-feira. 

Ela decidiu, nesta quarta, indicar Neri Geller para o ministério da Agricultura. Técnico da pasta, ele é apadrinhado de uma ala peemedebista e vai substituir Antônio Andrade, que tentará reeleição na Câmara em outubro.

Com a tarefa de enterrar o "blocão", Mercadante foi escalado para iniciar nova rodada de conversas com os partidos da base. Ao longo de todo o dia, os deputados que antes davam sustentação para Dilma escancararam a insatisfação com o tratamento que dizem estar recebendo da presidente. A principal queixa é o "represamento" de emendas parlamentares e cargos.

Aprovações. Ontem foram aprovados dois tipos de requerimentos a fim de levar integrantes do primeiro escalão de Dilma para dar explicações no Congresso. Alguns ministros foram convocados, ou seja, são obrigados a comparecer às audiências. Outros foram convidados, ou seja, não são obrigados a aparecer. Coube à Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara aprovar um pacote de convocações: os ministros Aguinaldo Ribeiro (Cidades); Manoel Dias (Trabalho); Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) e Jorge Hage (Controladoria-Geral da União) entraram na lista. A mesma comissão aprovou convites para que a presidente da Petrobrás, Graça Foster, preste esclarecimentos sobre os contratos firmados com a empresa SBM Offshore. O ministro da Saúde, Arthur Chioro, também foi convidado para falar sobre a contratação de cubanos no programa Mais Médicos.

Com a continuação de derrotas, o governo pediu ao presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), que retirasse da pauta, ontem, o projeto do Marco Civil da Internet, outro alvo declarado de Cunha.

"O governo ouviu o recado do ‘blocão’, em alto e bom som. Tivemos derrotas do ponto de vista numérico, mas montaram uma comissão externa para acompanhar uma investigação que não existe", afirmou ontem o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP).

Convocado a prestar esclarecimentos sobre a destinação de recursos públicos para um congresso do MST, Gilberto Carvalho disse que irá com "toda a boa vontade" à Câmara. "É papel do Congresso fiscalizar os atos do Executivo. Na política você tem momentos de mais tensão e de menos tensão. Não é o fim do mundo", disse. / EDUARDO BRESCIANI, TÂNIA MONTEIRO, VERA ROSA e RAFAEL MORAES MOURA