Rainha une movimentos sem-terra em ocupações de SP

Grupo inicia ´Inverno Quente´, nova onda de invasões na região do Pontal do Paranapanema

Agencia Estado

25 Junho 2007 | 15h54

O líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) José Rainha Júnior anunciou nesta sexta-feira, 22, a unificação dos movimentos sociais que atuam no Pontal do Paranapanema, em São Paulo, para ações de invasão de fazendas na região. Segundo ele, integrantes do Movimento dos Agricultores Sem-Terra (Mast) e do Unidos na Luta pela Terra (Uniterra) vão se juntar ao MST para o "combate ao latifúndio". Está prevista a ocupação de pelo menos dez fazendas na região nos próximos dias, no chamado "inverno quente". O Mast é a segunda força entre os sem-terra no Pontal, atrás apenas do MST. O movimento já conta com o apoio de sindicatos rurais ligados à Central Única de Trabalhadores (CUT). A parceria com a CUT possibilitou as invasões, ontem, das fazendas Aracanguá, no município de Santo Antonio do Aracanguá, e Araçá, em Araçatuba. "Agora, estamos unindo as nossas bandeiras", disse Rainha. Ele destacou, no entanto, que os movimentos irão manter sua autonomia. Ele voltou a dizer que está seguindo o que foi decidido no 5º Congresso Nacional do MST , realizado na semana passada em Brasília. Rainha não esteve no encontro, mas recebeu a carta de princípios divulgada no evento. O documento defende a aproximação do MST com outros movimentos sociais e a unificação das lutas. Ele se reuniu com líderes de outras agremiações e ficou definida que o alvo imediato será o projeto de lei do governador José Serra (PSDB) que, se aprovado, permitirá a regularização das fazendas com mais de 500 hectares no Pontal. Segundo ele, há um consenso entre as lideranças de que o projeto vai beneficiar apenas os fazendeiros que estão em áreas consideradas devolutas pelo Estado, reivindicadas para a reforma agrária. Ocupações Apesar do "Inverno Quente" ser liderado por Rainha, a coordenação estadual do MST informou na última quinta-feira que as ações do movimento para acelerar a reforma agrária em São Paulo ainda estão sendo discutidas. Segundo o MST, a nova ofensiva contra as fazendas do oeste do Estado iniciada pelo líder José Rainha Júnior é uma ação isolada. O objetivo, segundo Rainha, é invadir 24 áreas no Pontal do Paranapanema e na Alta Noroeste, as duas regiões de maior conflito agrário do Estado, em protesto contra o projeto do governador José Serra de regularizar as áreas devolutas com mais de 500 hectares no Pontal e contra a demora da Justiça Federal em concluir o processo de desocupação de fazendas consideradas improdutivas na Alta Noroeste.

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