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Quem nunca fez obra desanda a cobrar quem faz, diz Dilma

Sem citar nomes, presidente fez críticas a Alckmin, 'que hoje cobra do governo federal' ajuda para a questão hídrica

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Carla Araújo,
Agência Estado

13 Maio 2014 | 12h53

SÃO PAULO - Em tempos de seca em São Paulo, a presidente Dilma Rousseff fez há pouco uma visita ao Túnel Cuncas II, em São José de Piranhas, na Paraíba, que faz parte do Projeto de Integração do Rio São Francisco. A presidente, que estava acompanhada do governador Ricardo Coutinho (PSB) e do atual ministro da Integração Nacional, Francisco José Teixeira, além do titular da pasta no governo Lula, Ciro Gomes (PSB), aproveitou para criticar a falta de projetos no estado de São Paulo para conviver com a estiagem neste ano.

Durante a vistoria, Dilma afirmou que a obra é uma demonstração de que o Nordeste se "preparou para conviver com a seca". Ela aproveitou a oportunidade para citar a situação de São Paulo, que tem sofrido com a seca do reservatório Cantareira. "Estamos vendo uma situação muito difícil ser passada no estado mais rico da Federação", afirmou.

A presidente disse que o Nordeste hoje tem o mérito de ter tido consciência do problema da estiagem e ter investido em planejamento para tentar minimizar o impacto da seca. Sem citar nome de adversários políticos, como o governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB), Dilma fez críticas "aos que hoje cobram do governo federal" ajuda para a questão hídrica. "Acontece uma coisa engraçada: quem nunca fez desanda a cobrar de quem fez. É isso que estamos assistindo. Gente que nunca fez cobrar de quem está fazendo", disse.

De acordo com a presidente, o Projeto de Integração do Rio São Francisco vai beneficiar 12 milhões de pessoas. "Não é um obra qualquer, tem uma envergadura fundamental", afirmou. "Como a seca é recorrente, essas obras são cruciais para garantir o convívio com a seca, não o combate", reforçou.

Dilma destacou o conjunto de obras que estão sendo feitas na região e afirmou que o governo federal está investindo para "garantir que a falta d'água não seja uma surpresa". Segundo a presidente, por se tratar de uma obra que tem uma extensão de 477 quilômetros, há uma série de problemas conjugados ao longo da obra, que estão sendo resolvidos.

O objetivo do projeto é garantir a segurança hídrica para mais de 390 municípios no Nordeste, que sofrem com a seca frequentemente. De acordo com o Ministério da Integração, a região possui 28% da população brasileira e apenas 3% da disponibilidade de água. E o rio São Francisco apresenta 70% de toda a oferta regional.

Ainda segundo o ministério, o projeto estabelece a interligação da bacia hidrográfica do Rio São Francisco - que apresenta relativa abundância de água (1.850 m³/segundo de vazão garantida pelo reservatório de Sobradinho) - com bacias inseridas no Nordeste Setentrional. O empreendimento, além de recuperar 23 açudes, vai construir outros 27 reservatórios.

Mais visitas. A presidente Dilma fará ainda hoje visitas a outras regiões do Nordeste, que também fazem parte do Projeto de Integração do Rio São Francisco. Após a visita a São José de Piranhas, Dilma segue à Barragem de Jati, no Ceará, onde vai se reunir com representantes das empresas construtoras do Projeto de Integração. Em seguida, há a previsão de uma entrevista coletiva. Às 15h, a presidenta visita as obras da Estação de Bombeamento EBI-1, em Cabrobó (PE).

A previsão é que Dilma retorne no fim do dia para Brasília, onde deve participar da cerimônia de posse do ministro Dias Toffoli no cargo de presidente do Tribunal Superior Eleitoral, às 19h.

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