Estadão
Estadão

'Quem fez barganha foi o governo, não eu', alega Cunha sobre impeachment

Presidente da Câmara nega 'chantagem' e diz que Dilma 'mentiu' ao afirmar que não participou de negociações sobre cassação

Daniel Carvalho e Igor Gadelha, O Estado de S. Paulo

03 Dezembro 2015 | 11h26

Brasília - O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), acusou a presidente Dilma Rousseff de mentir em seu pronunciamento na noite desta quarta-feira, 2, ao negar ter feito barganha contra o impeachment.

O peemedebista disse que, à sua revelia, ao deputado André Moura (PSC-SE), um de seus principais aliados, foram oferecidos os três votos do PT no Conselho de Ética em troca da aprovação da CPMF. Ele teria sido levado à presidente Dilma pelo ministro Jaques Wagner (Casa Civil).

"A presidente, ontem, mentiu à nação, mentiu quando disse que o governo não autorizou qualquer barganha", afirmou Eduardo Cunha. "Ela estava participando de uma negociação", disse. "O governo tem muito a explicar à sociedade", afirmou o presidente da Câmara, enfatizando que a denúncia que fez é "muito grave". "A barganha esteve com o governo, não comigo".

Em entrevista coletiva nesta manhã, Cunha disse que não tinha conhecimento da negociação e que se recusou a atender os telefonemas do ministro Jaques Wagner na quarta, sobre quem ele recusou-se a falar. Ele também disse ter recusado a proposta quando teve conhecimento. "Eu jamais aceitaria qualquer tipo de barganha, muito menos aquelas que atentam contra o livre funcionamento das instituições democráticas do meu País", disse Cunha.

O presidente da Câmara disse ser adversário do PT e menosprezou os três votos do partido. "Sempre preferi que não tivesse os votos do PT no Conselho", afirmou, em relação ao Conselho de Ética, onde tramita processo contra ele por quebra de decoro parlamentar.

Ao ser lembrado de que seus principais aliados, André Moura e Paulinho da Força (SD), vinham negociando abertamente votos do conselho com diversos partidos da Casa, Cunha negou ter conhecimento. "Não sou responsável pelos atos daqueles que me defendem", disse Cunha. "Muitas coisas são feitas e eu não sei".

Cunha rebateu o pronunciamento feito por Dilma na noite de ontem, no qual ela alfinetou Cunha ao afirmar que não possui conta no exterior e nunca ocultou patrimônio pessoal. O presidente da Câmara, que deu andamento ao pedido de impeachment nesta quarta-feira, é alvo de investigações pela Procuradoria-Geral da República no âmbito da Operação Lava Jato por supostamente possuir contas na Suíça das quais seria beneficiário. "Meu passado e meu presente atestam a minha idoneidade e inquestionável compromisso com as leis e as coisas públicas", disse Dilma.

"Fazer contraponto de nível pessoal só mostra desespero", afirmou Cunha.

Eduardo Cunha repetiu que a decisão sobre o impeachment já estava tomada desde a última segunda-feira, 30, mas que, diante das novas acusações feitas contra ele, segurou a divulgação.

Cunha anunciou o acolhimento do pedido de impeachment cerca de dez meses após a apresentação do primeiro requerimento e quatro horas após o anúncio oficial de que não teria o apoio do PT para salvar o seu próprio mandato no Conselho de Ética.

"Não é uma guerra. Vamos tocar a pauta normalmente", afirmou.

Às 14h, Cunha deve fazer a leitura da abertura do processo de impeachment. O peemedebista marcou sessão extraordinária paras as 18h de segunda-feira, 7, para eleição da comissão que julgará o processo.

Mais conteúdo sobre:
São Paulo Eduardo Cunha Dilma Rousseff PT

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.