Quadro impede vice de passar por nova cirurgia

Alencar apresenta adesão das alças do intestino às paredes abdominais, o que dificulta qualquer nova cirurgia, por impedir o acesso adequado à cavidade

Fabiane Leite, de O Estado de S.Paulo,

23 Dezembro 2010 | 20h35

SÃO PAULO - Um novo sangramento abdominal ou uma nova obstrução intestinal são os principais riscos para o vice-presidente José de Alencar, explica o médico Ademar Lopes, do Hospital do Câncer de São Paulo, que faz parte da equipe que atende o paciente no Hospital sírio-libanês.

 

Nesse momento, os dois quadros trariam preocupação, uma vez que Alencar apresenta adesão das alças do intestino às paredes abdominais, o que dificulta qualquer nova cirurgia, por impedir o acesso adequado à cavidade. A adesão é decorrente das sucessivas operações do vice, a última realizada no fim de novembro, contra uma obstrução intestinal.

 

Foi justamente o problema de adesão que impediu os médicos, na manhã da última quarta-feira, de encontrar o foco do sangramento abdominal do vice-presidente, causado pelos tumores no abdômen.

 

A hemorragia foi agravada pelo fato de Alencar, que sofre problemas de coração, ser usuário de anticoagulantes, que dificultam uma cicatrização, suspensos após a hemorragia.

 

 

A equipe realizou uma laparotomia _cirurgia que envolve corte no abdome, verificou a inviabilidade de prosseguir e suturou a abertura. No total, o procedimento durou três horas.

 

Depois, o vice foi encaminhado à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e o sangramento reduziu espontaneamente. "O vice-presidente passou oito anos no governo, gostaria de descer a rampa com o presidente Lula. Torcemos para que isso seja possível", afirmou Lopes.

 

 

Efeitos do tumor

 

Segundo o oncologista Sérgio Simon, do Hospital Israelita Albert Einstein, os tumores têm uma tendência natural a sangrar, pois criam vasos próprios a medida que avançam.

 

O primeiro sintoma de muitos tipos de câncer é justamente o sangramento.

 

Além disso, o próprio tumor pode corroer os tecidos e expor um vaso normal, propiciando sangramentos.

 

Em casos de sangramentos em pacientes que já se submeteram à várias cirurgias as aderências não podem ser contornadas como uso de uma videocirurgia, pois há risco de perfuração.

 

Uma das técnicas utilizadas é guiar um cateter, por meio de raio x, até o local de hemorragia e injetar um tipo de espuma para contê-la. "Mas ás vezes nem isso é possível", explicou Simon.

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