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PT quer ver Delcídio fora de comissão do Senado

Senador, que teve a prisão preventiva revogada na sexta-feira, pretende retomar as atividades parlamentares na segunda; antes da detenção, ele comandava a Comissão de Assuntos Econômicos

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Erich Decat,
O Estado de S.Paulo

20 Fevereiro 2016 | 17h02

BRASÍLIA - Informados de que o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) pretende retomar as atividades parlamentares nesta segunda-feira, 22, lideranças do PT no Senado irão pressioná-lo para que ele deixe o comando da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) da Casa. O colegiado é responsável por conduzir os principais temas de interesse do governo em questões relacionadas à economia.

Segundo relatos, Delcídio informou ao secretário-geral do Senado, Luiz Fernando Bandeira, que pretende voltar às atividades na comissão já na sessão prevista para terça-feira, 23. Durante o período em que ficou preso, as atividades na comissão foram comandadas pelo vice-presidente Raimundo Lira (PMDB-PB). A conversa entre o petista e o secretário-geral do Senado teria ocorrido poucas horas depois de o petista ter sido solto na noite de sexta-feira,19. Ele passa o fim de semana em Brasília.

Na avaliação de integrantes da bancada do PT, Delcídio não tem mais condições políticas de conduzir o colegiado e sua permanência na presidência é considerada como constrangimento tanto para o partido quanto para os correligionários na Casa. Dias antes de o senador ser solto, o líder da legenda, senador Humberto Costa (PE), com apoio de parte da bancada, já havia apresentado um requerimento na comissão para substituir Delcídio pela senadora Gleisi Hoffmann (PR). Para evitar desgaste , Humberto deve procurar Delcídio nesta segunda-feira em busca de um acordo.

Delcídio foi liberado após decisão na sexta-feira do ministro do STF Teori Zavascki. Sua prisão foi embasada por gravações feitas pelo filho do ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró nas quais o senador aparece negociando o silêncio do ex-dirigente da estatal. Nas conversas gravadas, Delcídio sugere uma rota de fuga a Cerveró e oferece dinheiro à família do ex-diretor para não ser mencionado na delação premiada. Pela tentativa de obstruir as investigações criminais, Delcídio foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República ao Supremo.

A decisão de Zavascki de revogar a prisão preventiva quase três meses após a detenção atendeu à manifestação da Procuradoria-Geral da República e a pedido da defesa do senador. O ministro considerou que o "quadro fático" mudou desde a reclusão do senador, considerando que o acordo de delação que Delcídio tentava evitar, de Nestor Cerveró, já foi celebrado.

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