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'PT paga o pato' enquanto Vargas não renuncia, diz Rui Falcão

Erich Decat - Agência Estado

23 Abril 2014 | 16h 14

Presidente do partido faz corpo a corpo com deputados, em Brasília, para que o próprio parlamentar decida abrir mão do mandato

Brasília - Um dia após pedir ao deputado licenciado André Vargas (PT-PR) para que renunciasse ao mandato, o presidente nacional do PT, deputado estadual Rui Falcão (SP), passou a fazer corpo a corpo nesta quarta-feira, 23, com integrantes da Câmara para solicitar apoio dos deputados à sua posição. Após o encontro na liderança do partido na Casa, Falcão disse que o partido é o principal prejudicado com a permanência do parlamentar, apontado como aliado do doleiro Alberto Youssef. "Por enquanto o PT está pagando o pato", afirmou o presidente da legenda.

Apesar de defender a perda de mandato de Vargas, Falcão ressalva que uma decisão de renúncia seria algo de foro íntimo. "Não é o caso de a bancada votar se ele deve renunciar ou não, mas ficou claro que há uma preocupação grande com a evolução dos fatos", afirmou. "Eu continuo achando que a melhor solução é que o companheiro André Vargas deveria renunciar. Mas essa é uma decisão personalíssima, a gente não pode votar isso. Nenhuma bancada impõe às pessoas a renúncia, é um pedido que temos feito para ele e reiterado", acrescentou.

Segundo o presidente nacional da sigla, o argumento principal é a preservação da agremiação num período eleitoral, e do próprio deputado licenciado do PT do Paraná, que "teria uma melhor condição de defesa" fora da Câmara. Apesar dos apelos de parte da cúpula do partido, Vargas passou os últimos dias sem dar declarações públicas sobre a situação e insiste em  continuar no cargo.

Doleiro. Vargas passou a ser alvo de um processo disciplinar no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara após a divulgação de que teria utilizado um jatinho emprestado pelo doleiro Alberto Youssef, preso na Operação Lava Jato. Em reunião com o presidente do PT na manhã desta terça, 22, em Brasília, o deputado licenciado teria ouvido de parte da cúpula da sigla que, se não renunciasse, seria expulso do PT.

Conforme aliados de Vargas, o deputado federal contaria, entretanto, com o apoio de pelo menos 30 parlamentes da bancada pela permanência no cargo. Confrontado com essa tese, Falcão rebateu: "Não vejo os 30 deputados irem para plenário dizer que o André está certo. Que voar no avião do cara estava certo", disse.

 

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