PT já não espera Marta na campanha de Haddad

Discurso da senadora na Câmara, que causou constrangimento entre os petistas, seria sinal de que ela não está disposta a se dedicar ao pleito

DAIENE CARDOSO , AGÊNCIA ESTADO, O Estado de S.Paulo

23 Maio 2012 | 03h08

Após a senadora Marta Suplicy (PT-SP) ter roubado a cena na homenagem ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Câmara Municipal, os petistas reduziram as expectativas de tê-la na campanha do pré-candidato à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad.

Na segunda-feira, na solenidade de entrega da medalha Anchieta e do título de cidadão paulistano a Lula, Marta cobrou do PT mais do que uma cara nova na disputa. Exigiu um projeto renovador para a cidade. O discurso causou constrangimento entre os petistas e deixou claro que Marta não está disposta a se dedicar ao pleito. "Ela está se colocando fora do processo eleitoral em que poderia ter um papel (relevante), mas não quer esse papel", disse um cacique petista.

Nos bastidores, o discurso de Marta foi classificado como "deselegante", já que a ex-prefeita usou a maior parte do tempo para falar de sua gestão (2001 a 2004) e atacar o governo de Gilberto Kassab. "Ela não entendeu onde estava", comentou o petista. Segundo a cúpula do PT municipal, por ser um evento acima dos interesses partidários, o pré-candidato Fernando Haddad ficou de fora da mesa de homenagem e se juntou aos demais convidados no plenário.

No discurso, Marta disse que a cidade esperava um programa transformador do próximo prefeito. "Não basta o novo nessa cidade. Temos de ter um programa novo", disse a ex-prefeita, em referência à propaganda partidária prega a renovação. "No fundo, acho que ela está incomodada com o comercial que fala do novo. Ela se sentiu velha", alfinetou o cacique.

Mesmo sentimento. "Ela falou que São Paulo precisa de um programa novo e isso a gente vem preparando na campanha do Haddad. Estamos caminhando junto com ela. O sentimento dela é o sentimento da cidade", disse o vereador Chico Macena, da coordenação da pré-campanha de Haddad. "Ela está meio distante deste debate, talvez não saiba que a gente está avançando no processo", comentou o presidente do diretório municipal e coordenador da pré-campanha, vereador Antonio Donato.

Na contramão das avaliações, o vereador José Américo, membro da coordenação da pré-campanha, negou que o discurso de Marta tenha provocado mal-estar. "Não entendemos que a história do 'novo' foi uma crítica." Conforme Américo, a senadora ratificou ontem a disposição de ajudar Haddad e garantiu que estará no pré-lançamento da candidatura, marcado para 2 de junho. "Ela vai falar no evento. O que acontece é que estamos poupando a senadora e vamos chamá-la para ações de massa", explicou.

Esse foi o segundo evento de Marta com o pré-candidato. No primeiro, em abril, ambos dividiram o palanque na inauguração de um Centro Educacional Unificado em São Bernardo do Campo, no ABC. Na ocasião, Marta fez um gesto de aproximação com Haddad. "Você agora tem uma grande responsabilidade: eu e Lula vamos estar ao seu lado. O programa petista tem de voltar (a São Paulo), não podemos aceitar mais tanta mediocridade."

"Ela precisa escolher qual Marta é: se for a Marta de São Bernardo do Campo, nós vamos precisar muito, mas se for a de segunda-feira, ela demonstra que não está com vontade de fazer campanha", disse um dirigente. A senadora foi integrada ao conselho político de Haddad, mas nunca participou das reuniões.

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