PT está rachado sobre proposta que propõe fim da reeleição

O PT está rachado sobre a proposta que prevê o fim da reeleição. Apesar dos apelos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o partido ainda não chegou a um acordo sobre a conveniência de encaixar o polêmico tema na reforma política. Trata-se de mais um dos muitos impasses que marcam as atuais relações entre Lula e o PT e que serão debatidos nesta sexta-feira, na abertura da reunião do Diretório Nacional petista, em Brasília. "O fim da reeleição não tem consenso no PT", afirmou o presidente da legenda, deputado Ricardo Berzoini (SP), ele próprio favorável à proposta, no mesmo formato defendido por Lula, com aumento do mandato de quatro para cinco anos. Com ou sem reeleição, Berzoini disse que o PT tentará emplacar a reforma política até junho. "Se o Congresso não iniciar a votação no primeiro semestre, a tendência é que o assunto vá para as calendas", afirmou. Na prática, o governo já trabalha com esse cenário, diante da possibilidade de instalação de duas comissões parlamentares de inquérito - uma na Câmara e outra no Senado - para investigar o caos aéreo. "Esperamos que o Congresso não faça vídeo taipe de filme ruim e ainda por cima em marcha lenta", provocou a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC). A senadora reforça o coro dos que têm dúvidas sobre a oportunidade de o partido apoiar o fim da reeleição quando parcela significativa do tucanato quer a mesma coisa. "Não temos interesse em dar fôlego a nenhuma iniciativa que não leve em conta a espinha dorsal da reforma, que, para nós, é a fidelidade partidária e o financiamento público de campanha", argumentou Ideli. Cargos Embora não conste da pauta oficial, o debate sobre a montagem do governo promete agitar o encontro petista, que vai até amanhã. Contrariados com Lula por perderem cargos estratégicos para o PMDB e outros aliados, dirigentes do PT asseguram que não esconderão mais as insatisfações. "Se alguém disser que isso não será discutido deve estar com algum problema na cabeça", ironizou o secretário de Organização, Romênio Pereira, um dos principais líderes da corrente Movimento PT. A facção abriga o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (SP), e não foi contemplada com nenhum ministério. Agora, está de olho no comando dos Correios, empresa administrada pelo PMDB. A disputa também opõe o Movimento PT ao antigo Campo Majoritário, tendência de Lula e dos ex-ministros José Dirceu e Antonio Palocci. Integrantes do Movimento PT lembram que a ex-prefeita Marta Suplicy foi a única petista que entrou agora no Ministério de Lula, ao receber a pasta do Turismo. Marta é do Campo Majoritário. "O PT precisa pensar na política do partido como um todo e não em cargos para cada tendência", reagiu o deputado Carlos Zarattini (SP), do grupo de Marta. "Nós temos de saber defender os nossos interesses, mas reconhecendo os dos outros também, porque o compartilhamento de espaços é uma realidade", emendou Berzoini, numa referência ao PMDB. Rifado pela cúpula do PT por mais de um mês - quando o partido ainda tentava encaixar Marta em espaço com visibilidade na Esplanada -, o ministro da Educação, Fernando Haddad, é um dos convidados do encontro. Haddad fará uma exposição sobre o Programa de Desenvolvimento da Educação para uma platéia que já tentou tirá-lo do cargo.

Agencia Estado,

20 Abril 2007 | 08h41

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