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PT avalia que economia precisa reagir

Dirigentes do partido da presidente Dilma indicam que hostilidade contra membros da oposição indica que manifestações atingem a todos

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Ricardo Galhardo e Alexa Salomão,
O Estado de S.Paulo

13 Março 2016 | 22h50

Dirigentes do PT e de movimentos ligados ao partido avaliaram que os atos de ontem deixaram dois recados. O primeiro é quanto à urgência de uma reação imediata do Palácio do Planalto na economia. O segundo, dizem, refere-se à necessidade de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrar para o governo.

Lideranças petistas tambem viram com preocupação as hostilidades de manifestantes que foram à Avenida Paulista contra políticos da oposição, como o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e a senadora Marta Suplicy (PMDB-SP). Para os petistas, as vaias mostram que o movimento contra o governo da presidente Dilma Rousseff tem como alvo toda a classe política, não apenas o PT, criando um vácuo que pode ser ocupado por aventureiros ou levar à volta do autoritarismo.

Por outro lado, os petistas reconheceram a importância e o tamanho dos atos de ontem e esperam que isso sirva de incentivo para que o governo mude os rumos da política econômica.

“Me preocupou que a oposição que fomentou este ato tenha sido hostilizada em plena Avenida Paulista. Os manifestantes chamaram o governador Alckmin de ladrão de merenda, o Aécio de corrupto e se dirigiram à senadora Marta com palavras de baixo calão, obrigando até a sair debaixo de segurança. Isso me preocupa porque em 1964 os golpistas que apoiaram os militares, esperando que com a deposição do Jango (João Goulart, ex-presidente) pudessem assumir o poder, foram igualmente afastados e depois tivemos 21 anos de uma ditadura sanguinária”, disse o presidente nacional do PT, Rui Falcão.

Saldo. Para Jorge Coelho, um dos vice-presidentes do partido, as hostilidades contra a oposição são um perigo. “O fato mais importante é o repúdio à classe política. Isso mostra que os políticos estão devendo à sociedade. Foi um ato importante, mas que não tinha proposta além do impeachment da presidente Dilma. É uma manifestação só contra, sem propostas. Esse é o maior perigo que pode haver na sociedade”, afirmou.

Segundo o secretário de Saúde de São Paulo, Alexandre Padilha, a manifestação de ontem deixou uma mensagem também para a oposição. “Hoje o PSDB sentiu na pele o que está sendo gestado”, afirmou.

Integrante da coordenação nacional do Movimento dos Sem Terra (MST), João Paulo Rodrigues disse ter percebido uma presença maior da população de baixa renda nos atos de ontem pelo País.

“Foi um ato mais nacionalizado, não restrito apenas a São Paulo. Houve uma participação maior de uma população típica da classe que nos apoia. É um setor que também vaia a oposição. E os motivos para isso são dois: emprego e inflação”, declarou.

Segundo o deputado federal Vicente Cândido (PT-SP), uma guinada na economia se tornou o único caminho para o governo Dilma escapar do impeachment. “O governo vai ter que fazer (mudanças). Não tem outro caminho. O risco de isolamento no Congresso existe. Por isso, o governo precisa agir”, ressaltou. Indagado sobre a necessidade de Lula assumir o Ministério, ele respondeu: “Para o Ministério não, para o governo”.

Vigília. No início da noite de ontem, dirigentes e parlamentares do PT se reuniram na sede do diretório estadual do partido em São Paulo para avaliar as manifestações. “Estão tentando acelerar o processo de impeachment”, disse o secretário de Organização, Florisvaldo Sousa.

Na porta do Instituto Lula, dez militantes petistas fazem uma vigília desde sexta-feira. Na madrugada de ontem, um grupo de aproximadamente 15 militantes anti-petistas tentou pixar a sede do instituto, mas foram impedidos pelos militantes.

Em casa. Já em São Bernardo do Campo, Lula passou o domingo em sua casa. Na parte da manhã, a rua em frente ao prédio onde mora foi interditada pela polícia. Um grupo de cerca de 500 militantes se concentrou no local em apoio ao ex-presidente. A maioria exibia cartazes com os dizeres “Abaixo o antilulismo da Polícia Federal e do Ministério Público”, “Lula, você não está só”. Os militantes se recusaram a falar com a imprensa.

No meio da manhã, Lula desceu até a entrada do prédio, abanou para o grupo, tentou sair para cumprimentar as pessoas, mas o alvoroço que se formou foi tão grande que os seguranças pediram para que ele não saísse do prédio. Lula parecia abatido e cansado. Um pouco antes das 14h, a polícia liberou a rua e retirou o efetivo de cerca de 40 policiais militares.

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