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PT articula CPI do cartel de trens na Câmara para rebater oposição

Daiene Cardoso - Agência Estado

28 Março 2014 | 19h 06

Aliado do deputado licenciado Simão Pedro (PT-SP), que denunciou o caso em São Paulo, o petista Paulo Teixeira coleta assinaturas para comissão desde o ano passado

Brasília - Desde dezembro passado, a bancada do PT na Câmara dos Deputados coleta assinaturas para a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para apurar as denúncias de formação de cartel em trens de São Paulo. O trabalho vem sendo conduzido pelo deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP), aliado do deputado estadual licenciado Simão Pedro (PT-SP) que denunciou ao Ministério Público as suspeitas de formação de cartel, superfaturamento e pagamento de propina envolvendo contratos do Metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Atualmente Simão Pedro é secretário de Serviços de Haddad

A iniciativa será a principal estratégia dos petistas caso a oposição rechace a ideia de ampliar o escopo da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobrás. "Será o nosso principal caminho", disse o líder Vicentinho (SP) ao Broadcast Político.

O deputado Paulo Teixeira não revela o número de assinaturas que já conseguiu, mas garante que está próximo do número mínimo exigido (27 senadores e 171 deputados). "Faltam poucas assinaturas", enfatizou.

O argumento dos petistas é que o governo do PSDB em São Paulo não permite a apuração do cartel de trens na Assembleia Legislativa e já que a Petrobrás virou alvo da oposição, é preciso "passar à limpo" todas as denúncias de irregularidades. "Temos de fazer essa CPI do Metrô de São Paulo, não tem jeito", insistiu Teixeira.

Na Câmara, a orientação da Secretaria-Geral da Mesa é que uma vez coletadas as assinaturas, não pode haver alteração no texto do requerimento assinado pelos deputados, como propõe o PT. Mesmo com o acordo entre os líderes partidários, a secretaria informa que a iniciativa poderia ser caracterizada como fraude.

O líder petista acredita que, mesmo que regimentalmente seja inviável incluir no pedido da CPI da Petrobrás a apuração do caso Alstom, do cartel de trens em São Paulo, da Cemig e do Porto de Suape, existe fundamento político para se chegar a um acordo com a oposição e ampliar os trabalhos. "Se houver acordo (entre os partidos), pode (incluir novos temas)", concluiu. O assunto será o tema da reunião da bancada, marcada para a próxima terça-feira, 1º. "Não sei se regimentalmente é possível, mas politicamente é", concordou o deputado Carlos Zarattini (PT-SP).