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PT anuncia entrega de cargos no governo do Rio e rompe aliança com PMDB

Atualizado às 15h - Luciana Nunes Leal, de O Estado de S. Paulo

27 Janeiro 2014 | 14h 05

Sem consenso sobre sucessão eleitoral no Estado, petistas afirmam agora que serão 'independentes'

Rio - Depois de se reunir com o governador Sérgio Cabral (PMDB) na manhã desta segunda-feira, 27, o presidente do PT-RJ, Washington Quaquá, informou que a direção estadual do partido determinará que todos os petistas com cargos comissionados no Estado peçam exoneração o mais rápido possível. Com a decisão, se encerra a aliança PT-PMDB no Rio, após sete anos de união.

Entre os petistas que deverão pedir demissão estão os secretários estaduais Carlos Minc, de Ambiente, e Zaqueu Teixeira, de Assistência Social e Direitos Humanos. Quaquá levou ao governador uma lista com 200 nomes de comissionados petistas, mas calcula que o PT tenha entre 300 e 350 cargos no Estado. A saída do governo era reivindicada desde novembro pelo provável candidato do PT ao governo do Rio, senador Lindbergh Farias. O PMDB-RJ insiste na desistência da candidatura do senador e cobra apoio do PT à campanha do atual vice-governador, Luiz Fernando Pezão, para apoiar a reeleição da presidente Dilma Rousseff.

"A novela agora vai acabar. Nós ficamos no governo a pedido da direção nacional do PT e do governador. Acredito que ele ainda acreditava que Lindbergh pudesse desistir. Como isso não vai acontecer, mandou a mensagem no fim de semana. O clima é cordial", afirmou.

O PT prepara para 23 de fevereiro o lançamento da candidatura do senador Lindbergh Farias ao governo. Quaquá disse que o PT dará um palanque forte para a presidente Dilma no Estado, mas não se vai se opor caso a candidata à reeleição faça campanha ao lado de outros aliados que também disputam o governo - o vice-governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), o ex-governador Anthony Garotinho (PR) e o ministro da Pesca e senador licenciado Marcelo Crivella (PRB). "Não temos problema de a presidente Dilma aparecer em vários palanques. Quanto mais palanque para ela melhor. Vamos usar o legado do governo Dilma na nossa campanha, inclusive as parcerias com o governo Cabral. Não vamos fazer agressões gratuitas (ao governador)", disse Quaquá.

Na reunião desta manhã, o governador disse ao presidente do PT-RJ que os dois secretários petistas seriam exonerados e que os substitutos assinariam a demissão dos demais comissionados do PT. Quaquá, no entanto, afirmou que o PT não pretende esperar a nomeação dos novos integrantes do governo e, ainda nesta segunda, vai reunir a executiva estadual para aprovar uma resolução com a ordem de que todos saiam do governo Cabral.

Quaquá lembrou que os petistas do Rio queriam deixar o governo desde novembro passado, mas adiaram a saída para o dia 28 de fevereiro a pedido da direção nacional do PT e do próprio governador (Cabral). No fim de semana passado, porém, os petistas foram surpreendidos com o aviso do governador de que Zaqueu e Minc seriam exonerados no dia 31 de janeiro. Ex-ministro do Meio Ambiente, o secretário Carlos Minc está de férias na Bahia e disse, no Twitter, que não tem "apego a cargos". "Muda o cargo, não muda a pessoa. Fui ministro de Lula e ia à Lapa de táxi, de colete, sem segurança, ia à Parada LGBT", escreveu Minc no Twitter.

Na Assembleia Legislativa, o petista afirmou que os petistas não vão fazer oposição sistemática ao governo Cabral, mas vão atuar de forma independente.

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