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PT admite CPI só para Petrobrás; Renan vai recorrer

Vera Rosa, Débora Bergamasco e Débora Álvares - O Estado de S. Paulo

24 Abril 2014 | 23h 16

Governo muda tática após STF determinar instalação de comissão; pesquisas internas apontam desgaste de Dilma com crise na estatal

Brasília - O governo mudou de estratégia e decidiu não mais recorrer da decisão da ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal, que acatou pedido da oposição por uma CPI exclusiva da Petrobrás no Senado. A decisão do Palácio do Planalto foi motivada por pesquisas qualitativas que apontam desgaste na imagem da presidente Dilma Rousseff por causa de dúvidas em relação à Petrobrás.

O tema chegou a ser discutido por Dilma com coordenadores de sua campanha, na terça-feira à noite, no Alvorada. O governo quer acabar com a impressão, apontada em levantamentos, de que não quer investigar nada na Petrobrás por ter algo a esconder. Nos bastidores, auxiliares de Dilma dizem que nada é pior para um governante do que a sensação da população de que ele fecha os olhos para malfeitos.

A decisão da ministra do Supremo pegou a presidente de surpresa na noite de quarta. Coube ao ministro Mercadante dar-lhe a notícia. A ordem agora é blindar a investigação a qualquer custo - escalando cuidadosamente os integrantes da comissão.

Convencidos de que conseguirão assinaturas suficientes para abrir uma CPI para o cartel de trens em São Paulo, e para irregularidades no Porto de Suape, em Pernambuco, os governistas já dizem que é preciso apurar as irregularidades cometidas com recursos federais.

A ideia é desgastar as candidaturas do senador Aécio Neves (PSDB) e do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB), rivais de Dilma na disputa presidencial. "Vamos responder de maneira direta àqueles que querem usar a CPI para uma disputa eleitoral, por falta de propostas para o País", afirmou o ministro das Relações Institucionais, Ricardo Berzoini.

Reunião. Nesta quinta de manhã, Berzoini e o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, participaram de reunião no Planalto, com senadores do PMDB e do PT. Ali se definiu que somente o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) - aliado de Dilma - deveria recorrer da decisão tomada pela ministra Rosa Weber, do STF.

O líder da bancada do PT no Senado, Humberto Costa (PE), chegou a dizer que iria recorrer em nome do partido, mas foi convencido a recuar. A aposta é que os ânimos se acalmem durante a Copa do Mundo - e que, iniciada a propaganda eleitoral, ninguém vai querer saber de CPI.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, recorreu à ironia ao falar do assunto. "Já tivemos muitas CPIs, ao contrário de outros governos que não tiveram nenhuma", disse. Em Belém, o pré-candidato à Presidência Eduardo Campos (PSB) elogiou Rosa Weber: "Ela tomou uma decisão coerente com o que já dizia a jurisprudência do Supremo". / COLABORARAM FERNANDO GALLO e RICARDO GALHARDO