PSOL vai pedir cassação do mandato de Roriz

A decisão foi tomada neste domingo, 24, em reunião da Executiva do partido

Agencia Estado

25 Junho 2007 | 15h55

O PSOL vai entrar no Conselho de Ética do Senado nesta semana com pedido de cassação do mandato do senador Joaquim Roriz (PMDB-DF), por suposto envolvimento em esquema de desvio de dinheiro do Banco de Brasília (BRB). A decisão foi tomada neste domingo, 24, em reunião da Executiva do partido. Ao mesmo tempo, o corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), afirmou que vai requisitar ao Ministério Público e à Polícia Civil do Distrito Federal as fitas com gravações telefônicas e dados da Operação Aquarela, na qual a polícia aponta desvio de cerca de R$ 50 milhões no BRB. Tuma, que participa do encontro do Parlamento do Mercosul no Uruguai, chega na terça-feira a Brasília. No Senado, a avaliação de aliados do governo e de oposicionistas é de que a investigação contra Roriz será inevitável e que a situação do senador é mais grave do que a do presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), que já responde a processo no Conselho de Ética. Isto porque, contra Roriz, os senadores apontam que a investigação da polícia foi divulgada pela imprensa acompanhada de gravações, enquanto que contra Renan não apareceram documentos que comprovariam o pagamento de parte das despesas pessoais do senador pelo lobista da empreiteira Mendes Júnior. Além disso, senadores peemedebistas afirmam que dificilmente Roriz, senador de primeiro mandato e ainda com pouca articulação na Casa, terá a solidariedade do partido. "O Roriz não tem o trânsito de Renan entre os senadores. Chegou agora no Senado. Não vai ter uma defesa aberta. Nisso terá dificuldade", afirmou o senador Gilvam Borges (PMDB-AP), integrante do Conselho de Ética, externando a opinião de outros senadores do partido. "O caso de Roriz começa com mais consistência do que o de Renan", afirmou o senador Renato Casagrande (PSB-ES), outro integrante do colegiado. "O Senado não pode ficar imóvel desconhecendo esse assunto. Um caso como esse, o Senado tem de tomar uma medida", continuou. Senadores pedem investigação Independentemente do partido, senadores do conselho defenderam a apuração das denúncias. "É inevitável a apuração. Uma acusação dessa gravidade não pode ficar sem investigação", afirmou o senador Jefferson Peres (PDT-AM). "Precisamos tomar providências para que a crise não vá se avolumando. Ou o Senado demonstra condições de apurar os fatos ou todos serão culpados, e não só os acusados. Todos serão considerados precocemente culpados", afirmou. Parlamentares do PSOL vão discutir hoje com advogados do partido os termos da representação contra Roriz. O PSOL também foi o autor da representação contra Renan. "O caso de Roriz é tão grave quanto o de Renan. Não queremos que esse caso anule o de Renan", afirmou o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), membro da Executiva do partido. Escuta telefônica feita pela Polícia Civil flagrou diálogos de Roriz com o ex-presidente do BRB Tarcísio Flanklin, um dos 19 presos na Operação Aquarela, nos quais os dois supostamente combinam o transporte e a partilha de R$ 2,2 milhões. As gravações foram feitas em 13 de março com autorização judicial.

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