PSOL pede que Janot investigue contrato da Kroll com a Câmara

A empresa, que deveria encontrar ativos dos investigados no exterior, entregou à CPI apenas um relatório com colagens de reportagens e informações sigilosas dos investigados repassadas pela Comissão Parlamentar de Inquérito

Daniel Carvalho, O Estado de S. Paulo

28 Outubro 2015 | 21h51

Brasília - Parlamentares do PSOL apresentaram ofício à Procuradoria-Geral da República (PGR) para que ela investigue a legalidade do contrato firmado entre a Câmara dos Deputados e a empresa de espionagem Kroll que, a pedido da CPI da Petrobrás, investigou 12 alvos da Operação Lava Jato.

"Há indícios de que o respectivo contrato possa estar eivado de vícios que ensejem o ressarcimento aos cofres públicos dos valores pagos pela Câmara, além das respectivas punições cabíveis", diz o documento protocolado na PGR.

O PSOL afirma ainda que há suspeitas de que a Kroll tenha recebido tarefas que extrapolam os limites contratuais estabelecidos.  "Para o PSOL não restam dúvidas de que a Kroll foi contratada com objetivo principal de derrubar as delações premiadas dos réus da Lava Jato", diz o partido em nota.

Na semana passada, a deputada Eliziane Gama (Rede-MA) protocolou representação PGR para que a empresa de espionagem Kroll devolva o R$ 1,18 milhão que recebeu.

A empresa, que deveria encontrar ativos dos investigados no exterior, entregou à CPI apenas um relatório com colagens de reportagens e informações sigilosas dos investigados repassadas pela Comissão Parlamentar de Inquérito.

O trabalho da empresa de espionagem foi mencionado em apenas duas páginas do relatório aprovado na madrugada da última quinta-feira, 22, na CPI.

A Kroll decidiu não renovar o contrato com a Câmara depois que houve vazamento dos nomes dos investigados, encerrando os trabalhos antes de chegar a qualquer conclusão.

A lista de invetigados inclui delatores do esquema de corrupção da Petrobrás, como o lobista Julio Camargo, que acusou Cunha de receber propina de US$ 5 milhões em seu depoimento, e até mesmo Stael Fernanda Janene, viúva do ex-deputado José Janene (PP-PR). Além de ex-diretores e ex-gerentes da Petrobrás e de empreiteiros, também há o nome do ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto.

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