PSOL e Rede pedem cassação de Lúcio Vieira Lima no Conselho de Ética

Partidos protocolam representação contra deputado do PMDB

Daiene Cardoso, O Estado de S.Paulo

07 Dezembro 2017 | 13h12

BRASÍLIA - PSOL e Rede protocolaram nesta manhã de quinta-feira, 7, no Conselho de Ética na Câmara dos Deputados, uma representação por quebra de decoro parlamentar contra o deputado Lúcio Vieira Lima (PMSDB-BA), irmão do ex-ministro Geddel Vieira Lima, que está preso. Os partidos alegaram que, entre todos os parlamentares acusados de corrupção, nenhum outro "tem tanta simbologia" que o peemedebista. Os dois irmãos foram denunciados pela Procuradoria-Geral da República pelos crimes de lavagem de dinheiro e associação criminosa pelo bunker dos R$ 51 milhões.

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"A Câmara dos Deputados precisa agir", disse o deputado Ivan Valente (PSOL-SP). No pedido, os partidos acusam Viera Lima de pertencer a uma organização criminosa de lavagem de dinheiro e peculato (por utilizar servidores pagos com recursos da Câmara para tarefas privadas). Os partidos pedem a cassação do mandato do deputado baiano.

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Com o protocolo da representação, o Conselho de Ética deve possibilitar ainda neste ano a instauração do processo e a escolha do relator. O prazo de 90 dias para a análise do pedido só passará a contar a partir de fevereiro, no retorno do recesso. Vieira Lima não é visto no plenário da Câmara desde o dia 27 de novembro.

CELSO JACOB 

Os partidos não descartam a possibilidade de representar também o deputado Celso Jacob (PMDB-RJ), que atualmente cumpre pena no presídio da Papuda, no Distrito federal. Os parlamentares admitem, no entanto, que o caso do deputado fluminense é secundário diante do simbolismo de Vieira Lima. "Ele (Jacob) é um caso secundário no xadrez político. Geddel e Lúcio são homens do poder central", disse Valente.

Segundo o deputado do PSOL, os partidos não querem "entupir" os trabalhos do Conselho de Ética e que a tática deles é focar nos homens do presidente Michel Temer. "Vamos insistir na apuração desses crimes que podem revelar outras ações criminosas do presidente Michel Temer", concordou o deputado Alessandro Molon (Rede-RJ).

O Tribunal de Justiça já notificou a secretaria-geral da mesa diretora da Câmara da punição imposta a Jacob desde que ele foi flagrado voltando ao presídio com alimentos na cueca. O peemedebista foi punido com a reclusão na solitária e está impedido de exercer o mandato durante o dia. O comando da Casa não decidiu se vai convocar o suplente do parlamentar para ocupar a vaga aberta. O gabinete do deputado continua funcionando normalmente e suas prerrogativas parlamentares não foram suspensas.

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