PSDB e PT se articulam para reorganizar Conselho

Após constatar que arquivar processo seria impossível, petistas procuraram tucanos

Agencia Estado

25 Junho 2007 | 15h54

O PSDB e o PT começaram a se articular para reorganizar o Conselho de Ética e dar um desfecho ao processo aberto contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) por quebra de decoro parlamentar. Depois de constatar que seria impossível arquivar o processo a toque de caixa, como desejava Renan, senadores do PT procuraram os tucanos. A líder do PT, senadora Ideli Salvatti (SC), e o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) conversaram separadamente com o senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), o primeiro a denunciar a crise que atinge o próprio Conselho. Ele se queixou da desorganização e do despreparo do Conselho, que já adiou três vezes a votação e deparou com a renúncia de dois relatores. Isso abriu margem para o início das conversas políticas entre os aliados de Renan com senadores de oposição. A idéia que surgiu nesta quinta-feira é a nomeação de uma trinca de senadores - Renato Casagrande (PSB-ES), Leomar Quintanilha (PMDB-TO) e Marconi Perillo (PSDB-GO) - já que individualmente ninguém deseja assumir o posto. Mas, nem isso, o presidente do Conselho, senador Siba Machado (PT-AC), conseguiu fechar. "Precisamos nomear um relator que tenha condições de trabalho e que proponha a investigação certa", afirmou Sergio Guerra. Por enquanto, os principais líderes políticos do Senado entendem que é necessário resolver os problemas internos do Conselho e, só depois disso, decidir quando e como Renan poderá comparecer para prestar depoimento aos conselheiros. Renan é acusado de ter suas despesas pessoais - como a pensão alimentícia para a jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha fora do casamento - pagas pelo lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior. E, por conta disso, sofre processo por suposta quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética. Documentos apresentados pelo senador para provar que tinha recursos próprios e não precisava do dinheiro de um lobista contêm irregularidades, comprovadas por perícia realizada pela Polícia Federal. Busca de credibilidade Sem saída para a crise que se instalou no Senado desde as denúncias contra o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), os principais líderes políticos ainda estão atônitos e sem propostas para recuperar a credibilidade da instituição. A líder do PT, senadora Ideli Salvatti (SC), uma das principais defensoras de Renan, disse que as conversas entre oposição e senadores governistas já apontam para um entendimento que leve em conta a legalidade e a justiça. "Precisamos levar em consideração que o Conselho de Ética não é uma CPI nem uma delegacia de polícia. Temos que agir dentro dos limites e não podemos abrir precedentes", disse. "Em caso de crime, o foro não pode ser o Conselho que não tem a prerrogativa de investigar", completou. A senadora afirmou que a primeira providência para redefinir os rumos do Conselho de Ética passa pela escolha de um novo relator para o processo contra Renan, já que os senadores Epitácio Cafeteira (PTB-MA) e Wellington Salgado (PMDB-MG) renunciaram. Mas o presidente do Conselho, senador Sibá Machado (PT-AC), continua procurando um nome com credibilidade para relatar o processo. Ideli Salvatti entende que, além de agir dentro das suas limitações legais, o Conselho de Ética não pode condenar por conta de pressões da opinião pública. Um fato que preocupa a oposição é a baixa representatividade do Conselho de Ética. Muitos dos conselheiros indicados pelos líderes da base aliada são suplentes e conhecidos como senadores sem voto. A saída seria reformular o órgão, mas os próprios líderes ficam constrangidos agora de fazer as substituições. Texto ampliado às 20h18

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