PSDB critica manobra do governo para 'preservar' governadores de RJ e DF

Sérgio Cabral (PMDB) e Agnelo Queiroz (PT) podem ser convocados para CPI do Cachoeira

Luciana Nunes Leal - O Estado de S. Paulo

08 Maio 2012 | 14h56

RIO - O presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), reagiu na segunda-feira, 7, ao que definiu como mobilização do governo, em parceria com PMDB e PT, para preservar os governadores do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), e do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT).

 

Para Guerra, Cabral, Agnelo e o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), devem ser ouvidos na CPI do Cachoeira. "A investigação não pode ser regional. Tem que ouvir Marconi, Agnelo, Cabral. Se a situação de Cabral é diferente em relação aos outros, melhor para o Cabral e para o Rio de Janeiro. Ou a CPI investiga de verdade ou vai se distrair com a investigação já feita pela Polícia Federal dos telefonemas do contraventor Carlinhos Cachoeira. A Delta é um foco de investigação, tem grande interesse no Rio e o governador Cabral deve ser ouvido", disse o tucano.

 

Para Guerra, "o governo, o PMDB e o PT estão juntos para não investigar e já conseguiram deixar os governadores fora do primeiro round". Uma das linhas de investigação da CPI é a relação entre a Delta e Cachoeira.

 

Cabral entrou no foco da CPI depois que o deputado Anthony Garotinho (PR) começou a publicar imagens de viagens do governador em companhia do dono da construtora Delta, Fernando Cavendish. As imagens mostram passeios, jantar em restaurante de alto luxo e a mulher do governador, Adriana Ancelmo, com um grupo de amigas, exibindo os sapatos da grife Christian Louboutin.

 

Envolvidos na operação para evitar a convocação de Cabral na CPI, os principais líderes do PMDB reconhecem que o desgaste do governador é grande. Normalmente distante das questões partidárias, Cabral se aproximou dos companheiros de legenda no esforço para evitar que as relações de amizade com o dono da Delta, Fernando Cavendish, ganhem contornos de escândalo nacional, se chegarem à CPI.

 

Em conversa com peemedebistas como o vice-presidente Michel Temer, o presidente do Senado, José Sarney, os líderes no Senado, Renan Calheiros, e na Câmara, Henrique Alves, e o ex-líder do governo no Senado, Romero Jucá, Cabral disse que se trata de uma questão local com Garotinho. Sérgio Cabral assegurou aos peemedebistas que não tem qualquer ligação com o contraventor Carlos Cachoeira, preso na Operação Monte Carlo. 

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