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PSDB confirma Alckmin e tenta colar Skaf no PT

PEDRO VENCESLAU, RICARDO CHAPOLA - O Estado de S.Paulo

29 Junho 2014 | 02h 07

Em meio à crise hídrica e diante de um adversário forte não petista, sigla prevê a mais difícil eleição desde que chegou ao poder em SP, há 20 anos

Vinte anos depois de chegar ao poder em São Paulo pela primeira vez com Mário Covas, em 1994, o PSDB formaliza hoje a candidatura à reeleição do governador Geraldo Alckmin diante da expectativa de enfrentar a sua eleição mais difícil no Estado.

Apesar de o tucano ter aparecido na liderança da última pesquisa Datafolha com 44% das intenções de voto, o partido entra na campanha preocupado com a crise hídrica, desgastado com os desdobramentos da investigação sobre o cartel no Metrô e abalado pela decisão do ex-prefeito Gilberto Kassab, presidente do PSD, de apoiar o candidato do PMDB, Paulo Skaf, na disputa em São Paulo. A avaliação interna é que o peemedebista será um adversário forte ao ter tempo de TV similar ao de Alckmin na propaganda eleitoral. Como o candidato petista, Alexandre Padilha, ainda não decolou nas pesquisas, o PSDB acredita que Skaf vai ser o herdeiro dos votos dos que querem mudanças, mas são antipetistas.

"O PT vai tentar fortalecer os adversários em outro campo e com outra roupagem", disse o deputado Duarte Nogueira, presidente do PSDB paulista. A meta do partido na primeira fase da campanha será tirar de Skaf o selo de terceira via e colar nele a pecha de aliado do petismo, já que seu partido é aliado nacional da presidente Dilma Rousseff. Com isso, o PSDB espera deslocar para o presidente licenciado da Fiesp a polarização entre azuis e vermelhos que marcou as disputas das últimas décadas.

Segundo um interlocutor de Alckmin, a estratégia de forçar uma polarização continua valendo se Padilha "sair da lona". O importante, segundo o PSDB, é evitar que Skaf se consagre como o "novo" e conquiste eleitores antipetistas.

Antídotos. Os tucanos preparam antídotos para combater o que especialistas chamam de "fadiga de material" - o cansaço do eleitorado após muito tempo com o mesmo grupo no poder. Um deles será exibir à exaustão na propaganda partidária as realizações do governo. "Não há fadiga de material. Estar há tanto tempo no governo é nossa maior virtude", disse Nogueira.

Para enfrentar os prováveis ataques sobre o risco de falta d'água, problema que vem sendo atribuído pela oposição à ausência de investimentos do governo, a estratégia tucana é "culpar São Pedro" pelo período sem chuvas. O objetivo do PSDB é transformar o engajamento dos eleitores contra o desperdício de água num trunfo eleitoral. "Não há crise hídrica. O que temos é um problema de estiagem", disse Nogueira.

Em público, o tema foi tratado por Alckmin estritamente como assunto de Estado. Em reservado, porém, a preocupação é com os efeitos eleitorais que o risco de falta d'água pode causar até o início da campanha.

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