PSDB cobra do Conselho respeito ao processo contra Renan

Para partido, relator não pode se contentar apenas com fatos apresentados a ele

Agencia Estado

18 Junho 2007 | 09h39

O PSDB apresentou, nesta sexta-feira, 15, ao Conselho de Ética do Senado um voto em separado no caso das suspeitas em relação ao presidente do Congresso, senador Renan Calheiros. No voto, o partido afirma que o relator do processo contra Renan, senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA), "não respeitou a regularidade do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa ao não realizar diligências nem acareações" que pudessem esclarecer as dúvidas dos integrantes do Conselho. O Conselho está reunido desde às 10 horas desta sexta-feira. "O relator não se poderia contentar apenas com os fatos apresentados e sobre eles emitir seus esclarecimentos, ainda que contundentes", afirma o PSDB, no voto em separado. Segundo o partido, caberia a Cafeteira esclarecer todos os pontos controversos do processo "ouvindo testemunhas da acusação e da defesa" para garantir aos senadores do Conselho as informações necessárias para formarem com segurança sua opinião. O senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) disse que todos os documentos apresentados pelo presidente do Senado, Renan Calheiros(PMDB-AL), terão que ser periciados. "Se os velhos documentos forem fraudados, a situação é muito complicada", afirmou. Questionado se era caso de cassação, respondeu: "não quero fazer um julgamento. Um julgamento político não se caracteriza o crime, mas o decoro a ética". Para Crivella, o novo episódio, com a divulgação da informação de que há notas fiscais e recibos de empresas inativas entre os documentos apresentados por Renan na defesa da acusação de receber favores da Construtora Mendes Júnior, "abala totalmente a imagem do congresso.Na quinta-feira, reportagem do Jornal Nacional apontou, entre outras coisas, que os recibos que o presidente do Senado apresentou na sua defesa são ´notas frias´. De acordo com Crivella, a intenção da base governista era de liquidar toda essa questão nesta sexta. Mas, com as notícias divulgadas , é impossível, comentou. Ele fez a ressalva de que Renan terá amplo direito de defesa mas destacou que todos os documentos terão que ser periciados, os novos e os filhos. Crivella comemorou ter tomado conhecimento de que o ministro das Cidades, Márcio Fortes, não está envolvido nas irregularidades na licitação e construção de obras públicas detectadas pela operação navalha da Polícia Federal. E completou: "espero ter a mesma notícia do Renan". O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP) evitou comentar as novas denúncias contra o presidente do Senado. "Não vi a reportagem. Mas é evidente que esse é um assunto que, por estar no Conselho de Ética do Senado, cabe ao conselho analisar", afirmou. Ele ponderou que como a situação de Renan ainda está sendo discutida no Conselho de Ética "à Câmara não cabe nenhum comentário". (Com Leonardo Goy)

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