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PSB paulista defende apoio a Alckmin para 'prejudicar' candidatura de Aécio

Isadora Peron, O Estado de S. Paulo

12 Maio 2014 | 21h 53

Vice-presidente da sigla e prefeito de Campinas, Jonas Donizette, planeja entregar a Campos manifesto sobre o assunto

SÃO PAULO - Numa tentativa derradeira de convencer o pré-candidato do PSB à Presidência, Eduardo Campos, a apoiar a reeleição do tucano Geraldo Alckmin ao governo de São Paulo, o vice-presidente do PSB paulista e prefeito de Campinas, Jonas Donizette, tem usado o argumento de que essa estratégia irá prejudicar o desempenho do presidenciável tucano Aécio Neves no maior colégio eleitoral do País.

Donizette defende abertamente que a aliança com Alckmin é o melhor caminho para ajudar os planos nacionais da legenda, pois isso facilitaria a votação casada em Alckmin e Campos. Na avaliação do prefeito de Campinas, há muita resistência em torno do nome de Aécio em São Paulo e o PSB tem que tirar proveito dessa situação.

"Nós não podemos deixar o eleitorado de São Paulo solto", disse ele ao Estado.

Esta semana, Donizette planeja entregar a Campos um manifesto no qual defende essa tese. O documento registra que até a entrada da ex-ministra Marina Silva no PSB, em outubro do ano passado, esse era o plano que estava sendo traçado no Estado. As negociações foram interrompidas porque o grupo da ex-ministra exigiu que houvesse candidatura própria em São Paulo.

Com a pressão dos integrantes da Rede, Campos cedeu e passou a defender que o deputado Márcio França, presidente estadual da sigla, fosse indicado para a disputa. O nome de França, no entanto, não foi bem recebido pelo grupo da ex-ministra.

O manifesto, assinado por prefeitos, vice-prefeitos, deputados estaduais e federais, também cumpre o papel de desagravo a França. Segundo o documento, os marineiros promoveram "um verdadeiro massacre ao nome e à história de vida" do dirigente paulista ao não aceitar a sua indicação ao cargo. "O veto ao nome do partido (França) é inadmissível", diz o texto.

Diante do impasse com o grupo de Marina, o documento sugere que a Rede tenha autonomia para apoiar a candidatura de outro partido para governo do Estado e, assim, libere o PSB para formalizar a aliança com Alckmin.

Apesar de ter sido citado no documento como favorável a esse desfecho, Célio Turino, uma das principais lideranças da Rede paulista, diz que o grupo não trabalha com a hipótese de rompimento com o PSB em São Paulo e que eles irão trabalhar para que haja candidatura própria no Estado. Turino nega ainda que a Rede tenha vetado formalmente o nome o França, mas admite que o deputado não representa a ideia da nova política defendida pelos marineiros.