Protesto na Paulista é o maior já registrado

Polícia Militar estimou em 1,4 milhão o número de manifestantes na avenida

O Estado de S.Paulo

13 Março 2016 | 22h16

O protesto da Avenida Paulista pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff reuniu 1,4 milhão de pessoas e outras 400 mil em cidades da Grande São Paulo e do interior do Estado, segundo informações da Polícia Militar. Já o Movimento Vem Pra Rua estimou em 2,5 milhões na cidade e cerca de 5 milhões no Brasil. O Instituto Datafolha calculou 500 mil participantes, o maior ato desde o movimento Diretas Já, em 1984. Além de Dilma, o ex-presidente Lula e o PT foram os alvos preferidos dos manifestantes – boa parte de famílias de classe média. Nos cartazes e camisetas, o juiz Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato, e o “japonês da federal” foram tratados como heróis.

Já havia manifestantes na Paulista desde o fim da manhã. Por volta das 14 horas, o movimento aumentou e antes das 15 horas, todas as faixas da avenida já estavam tomadas. A maioria estava vestida com camisas da seleção brasileira ou das cores verde e amarela. Muitos carregavam faixas com críticas à corrupção e ao governo petista. Ao menos seis carros de som, comandados por grupos como os dos Revoltados Online, Movimento Brasil Livre e a favor da intervenção, desfilaram na via. As estações do metrô lotaram e, no auge do movimento, policiais militares restringiram o acesso de pessoas por causa da grande concentração.

“Nós notamos um perfil bem mais diverso. Cada vez mais famílias e jovens engajados, vindos de vários lugares”, disse o publicitário Paulo Abdo, de 72 anos, que participou de todos os atos pela saída da presidente acompanhado da mulher. “O movimento contra o governo fica cada vez mais forte”, disse. O engenheiro alemão Wolfram Perrey, de 51 anos, que vive no Brasil há 15 anos e foi ao ato acompanhado da mulher, estava otimista. “As pessoas estão mais informadas. É o melhor que vi acontecer para o País, isso é essencial para a democracia”, diz.

O boneco “pixuleco” com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente Dilma Rousseff usando uniformes de presidiários fez sucesso durante a manifestação na Paulista.

O Movimento Endireita Brasil colocou um pedalinho em frente ao caminhão de som para os manifestantes tirarem foto. Referência ao sítio em Atibaia frequentado pela família de Lula. Do alto do caminhão, integrantes do movimento faziam discursos raivosos contra petistas. O professor aposentado Antônio Leopoldo Cruz, que trouxe a mulher e os dois netos para a Paulista, tirou fotos no pedalinho. “Eu era metalúrgico no ABC na época do Lula e das paralisações. Éramos contra o Maluf e eu acreditei que um partido formado pelo Lula fosse melhorar o País”, disse. Cruz afirmou que nunca votou no PT e não minimizou críticas à gestão Geraldo Alckmin (PSDB).

Com o acirramento do cenário político, o apoio ao impeachment da presidente Dilma causa polarização até dentro de casa. As irmãs Juliana e Helena Zanollo foram à Avenida Paulista protestar pela saída de Dilma sob críticas do irmão, contrário à saída da petista. “Ele diz que ainda faltam provas concretas e que nós não sabemos pelo que viemos manifestar”, diz Juliana, de 29 anos, assistente de Marketing.

De acordo com os manifestantes e a PM, não houve registro de tumultos. Na capital, três pessoas foram detidas. Uma mulher foi levada para a delegacia acusada de desacato após agredir PMs e dois homens suspeitos de furtarem celulares também foram detidos.

Por volta das 17 horas, a maioria dos grupos começou a deixar a avenida, o que lotou novamente as estações de metrô. Às 19h30, praticamente não havia mais manifestantes na avenida.

PM não revela metodologia

A Polícia Militar de São Paulo divulgou uma estimativa do número de manifestantes na Avenida Paulista 180% maior que a do instituto Datafolha: 1,4 milhão contra 500 mil.

A disparidade é ainda mais significativa ao se levar em conta que o Datafolha incluiu em seus cálculos o fluxo de manifestantes em todo o protesto. Já a PM afirma que seu número leva em conta o público presente às 16h15, “sem contar a rotatividade do público presente”.

A nota divulgada ontem pela PM não esclarece detalhes da metodologia utilizada nem quantas pessoas por metro quadrado foram contabilizadas.

No protesto de março de 2015, quando a PM estimou em 1 milhão o número de presentes (quase cinco vezes mais do que a conta do Datafolha), a instituição informou que havia cerca de cinco pessoas por metro quadrado na Paulista e ruas adjacentes. Com essa concentração, similar à de um metrô lotado, caberiam apenas 580 mil pessoas na Paulista, já que a avenida tem 116 mil metros quadrados, incluindo calçadas.

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