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Promotor da Bolívia pede refúgio provisório ao Brasil

ANDREZA MATAIS - Agência Estado

12 Março 2014 | 20h 13

O promotor de Justiça da Bolívia Marcelo Ricardo Soza Alvarez pediu refúgio provisório ao Brasil após deixar seu país sob alegação de perseguição política do presidente Evo Morales. A embaixada brasileira em La Paz e a Polícia Federal brasileira confirmaram à reportagem que Soza ingressou no Brasil na terça-feira (12) pela cidade de Assis Brasil, no interior do Acre. O destino final foi Brasília.

O pedido de refúgio será analisado pela Comissão Nacional de Refugiados (Conare), órgão vinculado ao Ministério da Justiça, e significa uma nova saia justa para o governo brasileiro que tem Evo Morales como aliado. Além dele, um dos líderes da oposição na Bolívia, o senador Roger Pinto Molina, também pediu asilo ao Brasil no ano passado, mas ainda não teve resposta.

A imprensa da Bolívia informou que Evo Morales, ao saber da fuga, classificou o promotor como "corrupto e delinquente confesso". Ele teria afirmado: "Marcelo Soza é um corrupto e um delinquente confesso, mas esta nas mãos da Justiça. Se alguém não tem nada a temer deve se defender e não escapar."

Soza se tornou um desafeto do presidente boliviano após se insurgir a ordens como registrou em carta divulgada ao deixar o país. "Autoridades do governo me pediram que colaborasse para seus fins políticos, para lograr certos resultados. Também me pediram que incluíssem em investigações líderes da oposição mesmo sem ter provas e, por outro lado, se mostravam complacentes com outras autoridades da oposição com quem tinham algum acordo", escreveu na carta registrada. Ele afirma, ainda, ser o 747º boliviano a pedir refúgio a outro país na gestão Evo Morales e de ter tomado a "decisão mais difícil de sua vida".

Marcelo Soza era até março do ano passado o responsável pela investigação de uma suposta conspiração para matar o presidente da Bolívia. O episódio, ocorrido em 16 de abril de 2009, resultou na morte, pelas forças de segurança daquela país, de três cidadãos europeus que estavam num quarto do Hotel Las Américas, em Santa Cruz de la Sierra. Na versão oficial, a polícia teria descoberto o plano e se antecipado.

O promotor, contudo, que havia sido escalado a dedo para conduzir as investigações em acordo com o governo, divergiu do encaminhamento dado ao caso e passou a questionar a forma como os europeus foram mortos. Um vídeo revelado pela imprensa na Bolívia mostrou que, na verdade, eles podem ter sido executados pela polícia, pois estavam com as mãos amarradas. Ou seja, a conspiração seria uma farsa montada pelo governo para atingir politicamente os líderes da oposição de Santa Cruz - departamento mais rico da Bolívia - e garantir apoio popular para Morales.

Assim como outros opositores de Evo Morales, Soza passou a responder a processos judiciais após discordar do presidente nesse e em outros episódios e teve o pedido de prisão decretado no país. A oposição divulgou gravações na qual ele supostamente fazia revelações sobre corrupção no sistema judiciário boliviano e fotos com advogados que foram presos por pertencer a uma rede de extorsão. A Procuradoria Geral também instaurou processo por descumprimento de deveres por considerar que as investigações sobre a conspiração não avançaram satisfatoriamente quatro anos depois.

Inicialmente, a PF concedeu prazo de 120 dias para Soza permanecer no País, tempo que pode ser renovado. Soza deve se reunir, em Brasília, na quinta-feira (13) com o advogado Fernando Tibúrcio, que também defende o senador Roger Pinto Molina. O político fugiu para o Brasil no ano passado também acusando o governo Evo Morales de perseguição.

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