Promoção do ´traidor´ Lamarca revolta militares

Na edição deste sábado, Estado traz entrevista com o ex-presidente do Supremo Tribunal Militar que é contra a indenização; e com advogado que a defende

Agencia Estado

18 Junho 2007 | 09h39

O caso da indenização e promoção do capitão Carlos Lamarca pela Comissão de Anistia do governo federal tem provocado revolta nos militares. Em entrevista ao Estado na edição deste sábado, 16, o brigadeiro reformado e ex-presidente do Supremo Tribunal Militar (STM) Sérgio Ferolla é radicalmente contra a concessão da indenização. Em sua visão, trata-se de uma distorção grave do princípio que norteou a criação da Comissão de Anistia, de reparar danos sofridos por vítimas do regime militar. "Lamarca foi um traidor e não um inimigo do regime, que o enfrentou e, por isso, sofreu represálias, como um político comum. Ele cometeu crimes militares hediondos como desertar, roubar armamento e matar um oficial da PM a sangue-frio. Se fosse processado pelo STM, seria condenado.", diz. "Traidor, desertor, assaltante e assassino." Foi nesses termos que o general Nilton Cerqueira se referiu a Carlos Lamarca na última quinta-feira, em conversa com o Estado, após a decisão. "Eu não sou traidor da Pátria, tenho minha vivência no Exército, que é muito maior do que esse traidor, desertor, assaltante e assassino", disse. Cerqueira, na época major, comandou a operação que matou Lamarca, em 1971. Favorável à medida, o advogado Ariel de Castro Alves afirma, também no Estado deste sábado, que Lamarca - que retirou 62 fuzis FAL e munição de um quartel do Exército para combater a ditadura - é "um ícone da resistência armada ao regime militar". Para o advogado, coordenador do Movimento Nacional de Direitos Humanos, a determinação foi justa. "A família e o próprio capitão têm todo o direito de receber a reparação econômica. Lamarca foi uma vítima da ditadura e morreu combatendo o regime de exceção".

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