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Programa de governo do PSB-Rede afaga discurso ambiental de Marina

Atualizado em 05.02 - Murilo Rodrigues Alves e Caio Junqueira

04 Fevereiro 2014 | 21h 02

Documento da aliança é crítico na área política, genérico em economia e mais focado em temas sustentáveis

BRASÍLIA - Batizado de "Diretrizes para elaboração do programa de governo da aliança PSB-Rede", o documento apresentado ontem por Eduardo Campos e Marina Silva demonstra um esforço de conversão do pernambucano à cartilha da ambientalista. O documento, no entanto, traz propostas ainda vagas para o País.

Naquela que é considerada a área mais frágil do atual governo, a economia, as "diretrizes" têm uma série de platitudes sobre política industrial, agropecuária, infraestrutura, turismo e inovação. Não há qualquer menção ao modelo macroeconômico vigente, baseado no tripé câmbio flutuante, metas de superávit primário e de inflação. Desde o ano passado, analistas próximos e contrários ao governo criticam a forma como a presidente Dilma Rousseff tem conduzido esse tripé.

As críticas mais fortes expressas no documento se concentram no atual modelo político: "O modelo esgotou-se a olhos vistos, mas as forças políticas que o operam esforçam-se para mantê-lo". O problema é que Campos, na condição de signatário, ignora que muitas das práticas que critica foram adotadas por ele desde que assumiu o governo de Pernambuco, em 2007. O loteamento de espaços do poder a partidos políticos e o esvaziamento da oposição são apenas dois deles.

Afinados. Bem afinado com o discurso de Marina, fica nítido que o programa tem forte influência da Rede quando o tema é sustentabilidade. Chega a sugerir que os bancos públicos avaliem se uma empresa tem "práticas sustentáveis" antes de liberar empréstimos. Neste campo, entre as poucas medidas concretas está a de constituir um "painel de especialistas" para discutir a tecnologia de segurança na exploração de petróleo na camada pré-sal e de gás de xisto "para que a sociedade tenha maior clareza em relação aos riscos envolvidos".

O documento também diz que é preciso destinar parte de recursos obtidos a partir da exploração do pré-sal para o desenvolvimento de energia por meio de fontes renováveis. Pela lei aprovada no Congresso no ano passado, porém, os recursos dos royalties do petróleo serão destinados 75% para a educação e 25% para a saúde.

Sugestões sobre a "nova política" defendida pelos marineiros também foram adotadas. O documento fala em instituir as candidaturas avulsas, que acabam com a exigência da filiação partidária para que uma pessoas possa disputar as eleições.

Por outro lado, um tema sensível aos sonháticos foi registrado de maneira vaga. O documento diz que é preciso "rever a legislação de financiamento eleitoral", enquanto Marina costuma defender o financiamento público de campanha.

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