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Procuradoria-Geral pede inquérito para investigar Delcídio, Renan e Jader

Ministério Público Federal solicita ao Supremo duas novas apurações que envolvem o líder do governo, preso em Brasília, o presidente do Senado e o parlamentar do Pará, sob suspeita de corrupção passiva e lavagem de dinheiro em negócios da Petrobrás

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Beatriz Bulla, Gustavo Aguiar e Ricardo Brito ,
O Estado de S. Paulo

01 Dezembro 2015 | 03h00

BRASÍLIA - A Procuradoria-Geral da República pediu nesta segunda-feira, 30, ao Supremo Tribunal Federal a abertura de dois novos inquéritos no âmbito da Operação Lava Jato. Em um deles, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, quer investigar conjuntamente o senador Delcídio Amaral (PT-MS), preso na semana passada, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o senador Jader Barbalho (PMDB-PA).

No segundo inquérito, o pedido é por apurações sobre Renan, Jader e o deputado Aníbal Gomes (PMDB-CE), apontado como um emissário do presidente do Senado. Os parlamentares devem ser investigados pelas práticas de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. 

Nos últimos meses, Renan se transformou numa espécie de líder informal do governo Dilma Rousseff no Senado, em parceria com Delcídio, preso desde a última quarta-feira. 

As peças são mantidas em segredo de Justiça no tribunal e têm como fundamento duas petições ocultas. Na Lava Jato, procedimentos desse tipo têm sido usados para abrigar delações premiadas ainda mantidas em sigilo na Corte.

Uma das delações homologadas pelo ministro Teori Zavascki, do STF, em data próxima à das petições que originaram as novas investigações, é a do lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano. Em delação premiada, Fernando Baiano citou os nomes de Renan, Jader, Delcídio e do ex-ministro de Minas e Energia Silas Rondeau, ao narrar suposto recebimento de US$ 6 milhões em propinas em contratação do navio-sonda Vitória 10.000, em 2006. Baiano também afirmou em delação que Delcídio teria recebido US$ 1,5 milhão em espécie na operação de compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. O lobista é tido como um operador do PMDB no esquema de corrupção e desvios na Petrobrás e, em delação premiada, também fez menção ao nome do presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Relações. A assessoria do presidente do Senado divulgou nota em que reitera que as relações de Renan com as empresas públicas nunca ultrapassaram os limites institucionais. “O senador já prestou os esclarecimentos necessários, mas está à disposição para novas informações, se for o caso”, diz a assessoria de imprensa do parlamentar. Na nota, o senador afirma também que nunca autorizou, credenciou ou consentiu que seu nome fosse utilizado por terceiros.

Essa é a quinta investigação na qual Renan é alvo na Lava Jato e o quarto inquérito de Aníbal Gomes. Ambos aparecem juntos em todas as investigações, incluindo a apuração sobre formação de quadrilha, que abrange 39 pessoas. O primeiro inquérito contra Delcídio foi aberto na semana passada, quando o ministro Teori Zavascki autorizou a prisão preventiva do parlamentar por tentativa de obstruir as investigações. Até agora, só Jader Barbalho ainda não havia sido incluído em nenhuma investigação da Lava Jato.

Com os novos inquéritos, o total de apurações no STF relativas à participação de políticos no esquema na Petrobrás sobe de 33 para 35. Se os inquéritos forem abertos por Zavascki, a lista de investigados também cresce em um número, para 68 investigados, sendo 14 senadores.

O advogado do senador Delcídio Amaral, Maurício Leite, afirmou que só irá se manifestar quando tiver acesso aos autos. A defesa do deputado Aníbal Gomes não respondeu ao contato da reportagem. 

O senador Jader Barbalho disse que não conhece nenhum dos envolvidos na Lava Jato que fizeram delação premiada e que a citação de Baiano a seu nome é “leviana e inverídica”. Ele afirmou ainda estar “absolutamente tranquilo” em relação às investigações.

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